Praga quarentenária em alerta: caruru-palmeri é detectado em SP e preocupa lavouras

A detecção do caruru-palmeri em São Paulo coloca o Sudeste em alerta. A planta invasora, resistente e agressiva, pode reduzir a produtividade de lavouras e elevar custos, exigindo medidas rápidas de controle e vigilância no campo.

O caruru-palmeri cresce rapidamente e compete com culturas como soja e milho.
O caruru-palmeri cresce rapidamente e compete com culturas como soja e milho.

Uma planta que, à primeira vista, pode parecer apenas mais um “mato” comum virou motivo de alerta no Sudeste. O caruru-palmeri, nome popular do Amaranthus palmeri, foi oficialmente detectado no estado de São Paulo, acendendo um sinal vermelho para produtores e autoridades agrícolas.

Classificada como praga quarentenária, a espécie passa a ser alvo de medidas de contenção e restrições para evitar sua disseminação.

O tema ganhou força porque não se trata apenas de uma erva daninha difícil de arrancar. O caruru-palmeri é conhecido por seu crescimento rápido, alta produção de sementes e resistência a herbicidas. Em culturas como soja, milho e algodão, ele pode reduzir drasticamente a produtividade, elevando custos e ameaçando a rentabilidade no campo.

Por que o caruru-palmeri preocupa tanto

O caruru-palmeri se destaca por características que o tornam um adversário complicado. Ele pode crescer mais de dois metros de altura, competir agressivamente por luz, água e nutrientes e produzir centenas de milhares de sementes por planta. Além disso, sua emergência pode ocorrer em ondas, dificultando o manejo e favorecendo reinfestações mesmo após capinas e aplicações iniciais. Em poucos ciclos, uma área pode ficar infestada.

A planta produz grande quantidade de sementes, facilitando sua rápida disseminação.
A planta produz grande quantidade de sementes, facilitando sua rápida disseminação.

Outro fator crítico é a resistência a herbicidas amplamente utilizados. Em regiões onde já está estabelecido, produtores precisaram adotar estratégias mais caras e complexas para o controle, incluindo rotação de produtos e manejo integrado. Muitas vezes, é necessário combinar métodos mecânicos e químicos em janelas curtas, com monitoramento constante da rebrota. Isso significa aumento de custos e maior necessidade de planejamento.

Como essa planta se espalha e como reconhecer

A disseminação do caruru-palmeri pode ocorrer de forma silenciosa. Sementes microscópicas podem viajar misturadas a grãos, máquinas agrícolas, caminhões, solo ou até água de chuva, e também em resíduos de colheita, pneus e embalagens, passando despercebidas em longas distâncias.

Por isso, a movimentação de material vegetal e terra passa a ser monitorada quando há confirmação da praga.

Alguns sinais que ajudam a identificar a espécie incluem:

  • Crescimento muito rápido e vigoroso, formando touceiras altas em pouco tempo
  • Folhas largas com formato ovalado a lanceolado, geralmente com aspecto mais “lustroso”
  • Talo espesso e firme, que sustenta a planta mesmo com vento e competição
  • Inflorescências longas e densas, semelhantes a espigas, visíveis acima do dossel da cultura

Embora o reconhecimento técnico exija confirmação especializada, produtores e trabalhadores rurais são orientados a relatar suspeitas às autoridades agrícolas. Quanto mais cedo, maior a chance de isolar focos e evitar custos altos. A detecção precoce é a principal arma contra a expansão.

O desafio agora é segurar o avanço

A confirmação no Sudeste amplia a preocupação nacional. O caruru-palmeri já era conhecido em outras regiões, mas sua chegada a novos polos agrícolas exige reforço nas barreiras sanitárias e na vigilância, principalmente nas rotas de transporte e no compartilhamento de máquinas e implementos entre propriedades.

Estados com grande produção de grãos passam a revisar protocolos, especialmente no transporte de máquinas e insumos.

O desafio está em conter a expansão antes que ela se torne generalizada. Experiências anteriores mostram que o controle é mais eficiente quando feito de forma coordenada, com orientação técnica e ações rápidas.

O desafio está em conter a expansão antes que ela se torne generalizada. Experiências anteriores mostram que o controle é mais eficiente quando feito de forma coordenada, com orientação técnica e ações rápidas, evitando que pequenos focos virem áreas extensas e muito mais caras de manejar.

Referência da notícia

Defesa Agropecuária confirma detecção de Amaranthus palmeri, o Caruru Gigante, no interior de São Paulo. 5 de fevereiro, 2026. Defesa agropecuaria estado de SP.