Granizo passa, mas trigo gaúcho enfrenta risco de giberela após chuva persistente

Granizo danificou lavouras no Noroeste gaúcho, mas o trigo sobrevivente ainda enfrenta um período crítico: chuva persistente, espigas molhadas e grande parte das plantas em floração aumentam o risco de giberela nos próximos dias no estado gaúcho.

Espiga de trigo com branqueamento parcial e coloração salmão, sinais associados à giberela.
Espiga de trigo com branqueamento parcial e coloração salmão, sinais associados à giberela.

O granizo que atingiu o Noroeste do Rio Grande do Sul entre quinta e sexta-feira danificou lavouras em Braga e Três Passos, enquanto Seberi também contabilizou estragos. Trigo, milho, aveia e tabaco ficaram expostos à chuva que superou 100 milímetros em pontos do estado.

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O impacto visível nas plantas é apenas a primeira preocupação. Com 39% do trigo gaúcho em floração e 33% em enchimento de grãos, a permanência de espigas molhadas amplia o risco agronômico de giberela e dificulta inspeções, pulverizações e trânsito de máquinas.

Granizo encontra 72% do trigo em fases reprodutivas no Rio Grande do Sul

Em Braga, relatos preliminares indicam lavouras de trigo destruídas, enquanto Três Passos registrou danos também em milho, aveia e tabaco. O município acumulou cerca de 130 milímetros em poucas horas, e Seberi contabilizou aproximadamente 400 residências atingidas, dimensão que ajuda a mostrar a severidade localizada da tempestade. A avaliação agrícola, porém, ainda está em andamento.

Previsão da umidade do solo entre 12 e 14 de setembro de 2026.
Previsão da umidade do solo entre 12 e 14 de setembro de 2026.

O momento fenológico aumenta a sensibilidade. Dos cultivos gaúchos, 39% estão em floração, 33% em formação ou enchimento de grãos e 2% em maturação. Granizo pode quebrar colmos, remover folhas, ferir espigas e provocar acamamento. Em áreas de Santa Rosa, Ijuí e Frederico Westphalen, a perda dependerá do tamanho das pedras, duração do evento, cultivar e estágio de cada talhão.

Nas parcelas parcialmente preservadas, a manutenção de folhas e espigas funcionais será decisiva para completar o enchimento e conservar o peso dos grãos.

Espigas molhadas elevam atenção entre Santa Rosa, Ijuí e Passo Fundo

A giberela não pode ser considerada instalada apenas porque choveu. Entretanto, o fungo encontra condições mais favoráveis quando o trigo está em floração, a temperatura permanece entre 20 °C e 25 °C e o molhamento contínuo das espigas supera 48 horas.

Chuva frequente, alta umidade e pouca radiação também prolongam a secagem do dossel e dificultam a entrada no campo.

Na região de Santa Rosa, levantamento anterior indicava 45% das lavouras em floração, 25% em enchimento e 3% maduras. Esse quadro, combinado à umidade recente em Três Passos, Palmeira das Missões e Passo Fundo, exige acompanhamento talhão por talhão.

A umidade relativa prevista para segunda-feira (14), às 16h, chega a 70% em Passo Fundo e 81% em Caxias do Sul.
A umidade relativa prevista para segunda-feira (14), às 16h, chega a 70% em Passo Fundo e 81% em Caxias do Sul.

O Rio Grande do Sul cultiva aproximadamente 814 mil hectares de trigo, com produtividade inicialmente estimada em 2.701 quilos por hectare, o que amplia a importância econômica do período.

Trégua no fim de semana permite vistoria, mas solo ainda limita operações

O afastamento do sistema favorece redução da chuva no Rio Grande do Sul entre sábado, 12, e domingo, 13, enquanto a instabilidade se concentra mais sobre Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Isso abre oportunidade para iniciar levantamentos em Braga, Três Passos e Seberi, mas não garante suporte do solo nem secagem completa das espigas nas primeiras horas.

Decisões sobre manejo sanitário ou recuperação precisam de avaliação agronômica local, pois a janela adequada varia entre cultivares e estágios.

Até segunda-feira, 14, a chuva mais persistente tende a permanecer ao norte do estado.

Em Santa Rosa, Passo Fundo e Ijuí, a retomada de máquinas deve considerar drenagem, textura do solo, profundidade das marcas deixadas pelos pneus e umidade da palha.

  • Em Três Passos, após cerca de 130 milímetros, priorizar registros das áreas e evitar aumentar a compactação do solo.
  • Em Santa Rosa, onde 45% do trigo estava em floração, observar espigas, anteras e duração do molhamento.
  • Em Braga, separar danos mecânicos do granizo de sintomas que possam surgir nos 7 a 14 dias seguintes.
  • Em Passo Fundo e Ijuí, confirmar a sustentação do terreno antes de liberar tratores, pulverizadores ou equipes.