Conab ajusta safra da cana: chuva de novembro vira fator decisivo; confira
O 3º levantamento da Conab atualizou números da cana 2025/26 e trouxe à cena a “chuva de novembro”, capaz de mexer no cronograma de corte, no ATR e no mix açúcar/etanol, com impacto direto em produção e preços.

A cana entrou na reta final com uma variável decisiva no horizonte: a chuva de novembro. No mesmo dia em que a Conab publicou o 3º levantamento da safra 2025/26, o mercado voltou os olhos para os milímetros extras que podem embaralhar a colheita, mexer no ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) e bagunçar a logística do campo à indústria.
No relatório, a Conab atualizou área, produtividade, açúcar e etanol, destacando efeitos do clima desde 2024. Em linguagem simples: há cana, mas nem toda ela está “no ponto”, e o regime de precipitação nesta virada de primavera pesa na decisão diária das usinas, parar, insistir, ou reprogramar talhões e mix.
Panorama atualizado da safra 2025/26
A produção nacional de cana foi estimada em 666,4 milhões de toneladas (‒1,6% vs. 2024/25). A área plantada subiu para 8,97 milhões de hectares (+2,4%), mas a produtividade média recuou para 74.259 kg/ha (‒3,8%). No Sudeste, a colheita deve cair 4,4%, com recuos mais fortes em São Paulo, após seca, calor e incêndios afetarem a rebrota.

Nos derivados, o açúcar foi projetado em 45 milhões de toneladas (+2% e segundo maior volume da série), enquanto o etanol total pode somar 36,2 bilhões de litros (‒2,8%). O etanol de cana recua para 26,55 bilhões (‒9,5%), e o de milho cresce 22,6% para 9,61 bilhões de litros, uma fotografia que ajuda a entender as escolhas de mix ao longo do trimestre.
Chuva de novembro em campo: ATR, impurezas e logística
Quando a chuva aperta, a operação fica mais cara e menos eficiente. Solo encharcado aumenta patinagem e compactação, a cana chega mais suja, e a indústria precisa gastar mais para limpar e extrair, com desgaste em moendas e peneiras e queda de rendimento.
Além disso, o retorno das precipitações costuma “diluir” a concentração de açúcares em parte dos canaviais, pressionando o ATR, e freia o ritmo de colheita por janelas de solo impraticável, um duplo efeito que já foi observado em safras recentes no Centro-Sul.
Parar ou insistir? Checklist prático para a chuva de novembro
- Solo saturado/risco de atoleiro: interrompa; preserve estradas internas e evite danos permanentes ao talhão.
- Amostras com impurezas elevadas: replaneje a frente de corte; impureza alta corrói rendimento industrial e logística.
- Previsão de janela seca nas próximas 24–48 h: adie e concentre equipes quando o piso firmar. E o mix açúcar/etanol? O que a chuva muda na prática

- Talhões mais arenosos e com melhor drenagem: priorize; reduza velocidade e sobreposição para minimizar perdas.
- Vias internas danificadas: não force; o custo de manutenção e o risco de interrupções futuras superam o ganho imediato.
Mix é matemática de ATR, preços e logística. Com ATR mais baixo e mais paradas por chuva, a conversão por tonelada tende a cair, limitando o açúcar por t; nesse cenário, algumas usinas podem priorizar o que “gira” melhor no curto prazo e o que cabe na janela operacional.
A própria Conab observa que o ATR menor reduz ganhos por tonelada e que, no trimestre, as vendas internas de anidro seguem firmes, ao passo que o hidratado continua sensível à paridade com a gasolina.
Para o leitor que acompanha preços no varejo: se a chuva alonga cronogramas e “machuca” qualidade, atrasos de moagem e ajustes de mix podem repercutir nos estoques e nos preços, não imediatamente, mas ao longo das próximas semanas, conforme janelas de tempo e logística permitirem recuperar o ritmo.
Referência da notícia
Acomp. safra brasileira de cana-de-açúcar, Brasília, v13 – Safra 2025/26, n.3 - Terceiro levantamento. 4 de novembro, 2025. CONAB.