Chuvas favorecem o feijão no PI e calor preocupa as lavouras da BA e do MATOPIBA
A previsão desta semana reforça o contraste do feijão no MATOPIBA: no Piauí, a chuva recente sustenta áreas tardias; na Bahia, a umidade irregular e o calor ainda freiam a colheita e pressionam a produtividade no campo.

O feijão volta ao centro da previsão nesta semana porque a chuva está fazendo duas histórias diferentes dentro da mesma fronteira agrícola. Entre 20 e 27 de abril, o INMET indica volumes mais expressivos no norte do Nordeste, com destaque para Maranhão, Piauí e Ceará, onde os acumulados podem chegar a 100 mm em pontos isolados.
Isso merece atenção agora porque a primeira safra de feijão já avançou para 73,5% da área cultivada no país, e o MATOPIBA segue como uma peça importante dessa leitura regional. Segundo o INMET, a distribuição irregular das chuvas no início de abril colocou Bahia e Piauí em contraste: de um lado, áreas piauienses ganharam fôlego com a volta da umidade; de outro, partes da Bahia seguem lidando com atraso de colheita, perda de qualidade e solo mais seco onde a chuva falhou.
Piauí ganha alívio em áreas que vinham no limite
No Piauí, a chuva recente trouxe uma melhora importante sobretudo para as lavouras mais tardias. O INMET informa que as precipitações que voltaram no fim de março e se consolidaram no começo de abril ajudaram a sustentar o potencial produtivo, especialmente no sudeste do estado, que vinha mostrando sinais de déficit hídrico. Em outras palavras, a água chegou num momento em que ainda podia evitar perdas maiores em parte das áreas.

Há também um dado que ajuda a dimensionar esse alívio. Em Campo Maior, no centro-norte piauiense, O SISDAGRO (Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária) apontou estabilização da estimativa de perda de produtividade em 31,2%, justamente após os excedentes hídricos recentes.
Para esta semana, a previsão mantém o Piauí entre os destaques de chuva no Nordeste, embora essa condição não seja homogênea dentro do estado: enquanto o norte pode receber volumes mais altos, áreas mais ao sul ainda dependem de uma janela mais organizada para a colheita andar sem interrupções.
Bahia ainda soma atraso, umidade alta e falta de água
Na Bahia, o quadro continua mais difícil porque o problema não é apenas um. No oeste do estado, a persistência das chuvas já vinha atrapalhando o trânsito de máquinas e mexendo na qualidade dos grãos colhidos, segundo o INMET. Entre o fim de março e a primeira semana de abril, a colheita avançou para 88% da área, mas em ritmo travado pelas condições meteorológicas em parte das áreas produtoras.

Em municípios como Vitória da Conquista, a irregularidade das chuvas, combinada com temperaturas elevadas, reduziu a água disponível no solo e elevou o risco de quebra de produtividade.
O próprio INMET, com base no SISDAGRO, estimou que a perda pode chegar a 42,6% até meados de abril. Na prática, a Bahia entra nesta semana com três dificuldades ao mesmo tempo:
- colheita mais lenta em áreas com excesso de umidade;
- piora da qualidade do grão onde a chuva persistiu;
- restrição hídrica em áreas onde a chuva veio pouco e mal distribuída.
Uma mesma semana, efeitos opostos no mesmo feijão
É justamente esse contraste que transforma o feijão numa boa pauta de previsão agora. No Piauí, a chuva recente ainda funciona como suporte para áreas tardias e ajuda a segurar parte do potencial produtivo. Na Bahia, o efeito da água depende muito de onde ela caiu, quando caiu e em que fase estava a lavoura.
Isso importa porque o feijão é uma cultura sensível ao ritmo da colheita, à qualidade comercial do grão e à regularidade da umidade do solo. Ainda é cedo para transformar essa semana, sozinha, em movimento de preço no varejo, mas ela ajuda a explicar por que o abastecimento e o resultado da safra não avançam do mesmo jeito em toda a região.
No MATOPIBA, a mesma chuva que sustenta uma área pode atrapalhar outra, e é isso que mantém o feijão no radar do campo e da mesa.
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