Um dos animais mais misteriosos e "fantasmagóricos" do mar foi fotografado em ação pela primeira vez

Pela primeira vez, um animal misterioso foi fotografado debaixo d'água. O fotógrafo Justin Hofman conseguiu capturá-lo após 15 temporadas na Antártica, revelando detalhes inéditos dessa espécie quase invisível.

Estas fotos recentes são as primeiras já tiradas debaixo d'água de uma foca-de-ross. Foto: Instagram @justinhofman
Estas fotos recentes são as primeiras já tiradas debaixo d'água de uma foca-de-ross. Foto: Instagram @justinhofman

Por mais de 15 temporadas na Antártica, o fotógrafo e naturalista americano Justin Hofman perseguiu um objetivo quase impossível: obter uma imagem subaquática da foca-de-Ross, um dos mamíferos mais enigmáticos do planeta. Ele havia visto apenas dois exemplares em uma década e meia de trabalho. Mesmo assim, persistiu.

E, seguindo o ditado "a perseverança compensa", Hofman alcançou seu objetivo no final de 2025. Com sua lente ágil e precisa, ele capturou as primeiras fotografias subaquáticas dessa espécie. Esse registro viralizou e já é considerado histórico no mundo da biologia marinha.

As imagens, capturadas durante uma expedição a bordo do National Geographic Resolution, mostram o animal nadando entre o gelo compacto do continente branco. Para os especialistas, essas fotografias representam “uma janela inesperada” para uma espécie praticamente invisível em seu habitat natural.

É muito provável que estas sejam as primeiras fotografias subaquáticas já tiradas de uma foca-de-ross. Este animal vive tão fundo no gelo marinho da Antártida que nem sequer compreendemos completamente o seu ciclo de vida”, explicou Hofman em suas redes sociais, onde compartilhou as imagens.

Um mamífero quase "invisível"

A foca-de-Ross (Ommatophoca rossii) é talvez o segredo mais bem guardado do Oceano Antártico. A maioria dos cientistas que trabalham na região nunca viu uma na natureza. E, segundo Hofman, mesmo para aqueles que passam anos em expedições polares, encontrar uma é quase inteiramente uma questão de sorte.

A foca-de-Ross vive nas profundezas do oceano, em meio ao gelo marinho da Antártida. Foto: Instagram @justinhofman
A foca-de-Ross vive nas profundezas do oceano, em meio ao gelo marinho da Antártida. Foto: Instagram @justinhofman

Este mamífero vive em áreas remotas ao sul do paralelo 60°, geralmente em áreas isoladas de gelo compacto onde o acesso humano é praticamente inexistente. Costuma ser solitário, esquivo, silencioso e capaz de submergir por longos períodos em águas extremamente frias e escuras.

De fato, até agora, a única evidência fotográfica disponível consistia em imagens tiradas no gelo, nunca debaixo d'água.

"Eu nunca pensei que fosse uma possibilidade real, porque esses animais são vistos muito raramente e geralmente são encontrados muito ao sul", reconheceu Hofman.

Assim foi o encontro histórico com a foca mais misteriosa do mundo

Durante uma viagem da expedição National Geographic-Lindblad, algo mudou. Hofman estava no convés quando, de repente, a misteriosa foca emergiu a poucos metros de distância. Em questão de segundos, o fotógrafo e explorador saltou para a água com seu equipamento e conseguiu o que tentava capturar há mais de 15 anos.

A sequência de fotografias mostra o animal deslizando silenciosamente, rodeado por bolhas e reflexos azuis. Para o especialista, foi um momento único na vida.

Os únicos registros visuais da foca-de-Ross que se tinham eram sobre o gelo e fora do mar.
Os únicos registros visuais da foca-de-Ross que se tinham eram sobre o gelo e fora do mar.

“Anos atrás, descobri que provavelmente não existiam imagens subaquáticas dessa espécie, então comecei a pensar no que seria necessário para obtê-las”, disse ele.

As imagens não são apenas esteticamente extraordinárias, mas também cruciais para a compreensão da biologia de uma das espécies menos estudadas da região.

Por que essas imagens são tão valiosas?

Especialistas científicos indicam que a foca-de-Ross pode mergulhar a quase 300 metros de profundidade e permanecer submersa por mais de 20 minutos. Esse comportamento, aliado à sua preferência por áreas remotas, torna o rastreamento ou a documentação desse animal em ação uma missão impossível. Ou "quase impossível".

Durante 15 anos, o fotógrafo Justin Hofman buscou a foto subaquática perfeita de Ross, a foca, até finalmente consegui-la. Foto: Instagram @justinhofman
Durante 15 anos, o fotógrafo Justin Hofman buscou a foto subaquática perfeita de Ross, a foca, até finalmente consegui-la. Foto: Instagram @justinhofman

Dessa forma, as fotos de Hofman nos permitem observar como a foca se move, como usa seu corpo para navegar no gelo e como interage com um ambiente de sombras, pressão extrema e temperaturas congelantes.

Até o momento, grande parte dos dados sobre a espécie provém de observações e medições isoladas no gelo, e não do ambiente onde ela passa a maior parte da vida: o oceano profundo.

Como é a foca de Ross e o que a diferencia das outras?

Segundo a Divisão Antártica Australiana e outras organizações polares, a foca-de-Ross possui características únicas entre as focas antárticas.

  • É menor que a foca-leopardo e a foca-caranguejeira.
  • Atinge três metros de comprimento e pesa cerca de 200 quilos.
  • Sua pelagem varia de marrom escuro a branco nas costas.
  • Sua barriga é de um branco prateado brilhante.
  • Possui boca pequena e dentes afiados, perfeitos para capturar presas esquivas.
  • Tem olhos enormes, adaptados para enxergar em profundidade e em condições de luminosidade muito baixa.
  • Alimenta-se de lulas e peixes.
Assim que a viu mergulhar no mar gelado, o fotógrafo pulou na água e tirou uma série de fotos subaquáticas. Foto: Instagram @justinhofman
Assim que a viu mergulhar no mar gelado, o fotógrafo pulou na água e tirou uma série de fotos subaquáticas. Foto: Instagram @justinhofman

Sua anatomia, com pescoço grosso e corpo esguio, parece projetada para o silêncio absoluto.

Um "animal fantasma"

A viralização das imagens de Hofman gerou grande entusiasmo na comunidade científica. Capturar — fotograficamente falando — a foca-de-Ross em seu habitat natural é como fotografar um fantasma marinho.

"Pensei nessa foto por anos. Mas nunca imaginei que realmente conseguiria", concluiu o fotógrafo.

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