Tubarão que ‘anda’ fora d’água é descoberto por cientistas na Oceania

Nova espécie identificada na Papua-Nova Guiné utiliza as barbatanas para se deslocar em recifes rasos durante a noite e amplia o conhecimento científico sobre os raros tubarões-andantes.

Tubarão-andante: nova espécie usa as barbatanas para se deslocar em águas rasas. Crédito: Mark Erdmann/ Universidade de Sunshine Coast
Tubarão-andante: nova espécie usa as barbatanas para se deslocar em águas rasas. Crédito: Mark Erdmann/ Universidade de Sunshine Coast

Uma nova espécie de tubarão capaz de se locomover parcialmente fora d’água foi descoberta por pesquisadores na Papua-Nova Guiné, no sudoeste do Oceano Pacífico. O animal, batizado de Hemiscyllium dudgeonae, integra o grupo conhecido como tubarões-andantes e teve sua descrição científica divulgada nesta semana em um estudo publicado na plataforma Zenodo.

Com cerca de um metro de comprimento, a espécie chama a atenção pela habilidade de usar as barbatanas peitorais para se deslocar sobre recifes rasos durante a noite. O comportamento peculiar deu origem ao apelido de “tubarão-andante”, atribuído às espécies do gênero Hemiscyllium.

Além da forma incomum de locomoção, o novo tubarão apresenta coloração marrom com marcas brancas espalhadas pelo corpo, característica que ajuda a diferenciá-lo de outras espécies aparentadas.

Descoberta ocorreu durante expedição científica

O animal foi encontrado durante uma expedição realizada na Baía de Milne, no sudeste da Papua-Nova Guiné. A equipe de pesquisadores estudava populações de tubarões-epaulette quando um exemplar desconhecido chamou a atenção dos cientistas.

Hemiscyllium dudgeonae: espécie foi identificada na Papua-Nova Guiné - Foto: Nesha Ichida/Universidade de Sunshine Coast. Crédito: Nesha Ichida/Universidade de Sunshine Coast
Hemiscyllium dudgeonae: espécie foi identificada na Papua-Nova Guiné - Foto: Nesha Ichida/Universidade de Sunshine Coast. Crédito: Nesha Ichida/Universidade de Sunshine Coast

A captura foi feita pela pesquisadora Christine Dudgeon, da Universidade de Sunshine Coast, na Austrália. Segundo os autores do estudo, o primeiro indício de que se tratava de uma espécie ainda não catalogada surgiu a partir do padrão de coloração, considerado diferente dos demais integrantes do gênero.

Para confirmar a hipótese, os pesquisadores coletaram amostras de sangue e tecido e realizaram análises genéticas em laboratórios australianos. Os resultados comprovaram que o animal representava uma espécie até então desconhecida pela ciência.

Nome local da espécie faz referência à movimentação lenta

Os cientistas explicam que a capacidade de caminhar pelo fundo marinho em águas extremamente rasas é uma característica compartilhada pelos chamados tubarões-andantes. O comportamento permite que esses predadores noturnos procurem alimento em áreas onde outros peixes têm dificuldade de se movimentar.

Na região onde a espécie foi encontrada, os moradores a conhecem pelo nome “kadedekedewa”, expressão do dialeto local que pode ser traduzida como “tubarão-cão” ou “tubarão preguiçoso”. O termo faz referência à forma lenta como o animal se desloca.

A descoberta também levou os pesquisadores a reavaliarem o conhecimento sobre a distribuição geográfica dos tubarões-andantes. Até então, acreditava-se que as diferentes espécies viviam em áreas isoladas por barreiras naturais, como rios ou regiões mais profundas do oceano.

Grupo reúne espécies vulneráveis

Os resultados do estudo sugerem que algumas espécies podem ocupar áreas próximas no leste da Papua-Nova Guiné, embora não necessariamente compartilhem os mesmos habitats ao mesmo tempo.

Com a identificação do Hemiscyllium dudgeonae, o gênero Hemiscyllium passa a reunir dez espécies conhecidas. Segundo os pesquisadores, metade delas já enfrenta algum grau de ameaça em razão da distribuição geográfica restrita.

Entre os principais riscos estão a pesca, as mudanças climáticas e a degradação dos recifes de coral. Os cientistas pretendem retornar à região em outubro para realizar novos levantamentos e obter informações sobre o tamanho da população e o estado de conservação da espécie recém-descoberta.

Referência da notícia

Revista Exame. (2026). Tubarão que anda fora d´água é descoberto na Oceania.