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O que está causando a morte das árvores da Amazônia?

A taxa de mortalidade das árvores em toda a bacia Amazônica está aumentando, e uma pesquisa feita por cientistas de diversos países indica que o processo tem relação com as mudanças climáticas.

O que está causando a morte das árvores da Amazônia?
A taxa de mortalidade das árvores na bacia Amazônica está aumentando, em parte, devido às mudanças climáticas. A situação pode mudar toda a dinâmica da flora e da fauna no bioma.

Nos últimos anos, a taxa de mortalidade das árvores na bacia amazônica tem aumentado gradativamente. Esta questão é particularmente importante porque, quando as árvores morrem mais cedo, a floresta armazena menos carbono dentro de si.

Isso significa que, se a taxa de mortalidade das árvores aumentar, mais carbono será liberado na atmosfera pelas árvores mortas, impactando o clima do planeta. E o mecanismo por trás desta taxa permaneceu um mistério por muito tempo. Pensava-se que a mortalidade se dava por fatores externos, como o vento.

Agora, um grande estudo, liderado pelas Universidades de Birmingham e Leeds em colaboração com mais de 100 cientistas, começou a desvendar quais fatores controlam as taxas de mortalidade de árvores nas florestas amazônicas.

"Isso nos permite prever e planejar melhor as tendências futuras (...) mas é um grande esforço, pois existem mais de 15.000 espécies de árvores diferentes na Amazônia", disse a autora principal, Dra. Adriane Esquivel-Muelbert.

A pesquisa foi financiada pelo Natural Environment Research Council e incluiu também contribuições de 10 universidades do Reino Unido, assim como de cientistas da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela.

Um dos maiores problemas enfrentados pelo time foi o fato de que a morte de uma árvore pode ser um evento bastante raro e difícil de ser estudado. Portanto, seriam necessários volumes gigantescos de dados.

Para resolver este problema, a rede RAINFOR reuniu mais de 30 anos de contribuições de mais de 100 cientistas. Isso inclui registros de 189 hectares, visitados e monitorados de 3 em 3 anos. A cada visita, os pesquisadores analisaram todas as árvores acima de 10 cm de diâmetro.

Ao total, mais de 124.000 árvores vivas foram acompanhadas e 18.000 mortes registradas e analisadas. Quando as árvores morriam, o pesquisador seguia um protocolo fixo para desvendar a verdadeira causa da morte.

"Isso envolve trabalho forense detalhado (...) e equivale a um “CSI Amazônia” conduzido por investigadores qualificados de uma dúzia de nações", observou o Prof. Oliver Phillips, da Universidade de Leeds.

Esta grande análise descobriu que a taxa média de crescimento das espécies de árvores é o principal fator de risco por trás da morte de árvores na Amazônia. As espécies de crescimento mais rápido têm expectativa de vida mais curta. E a intensificação ocorre porque a mudança climática tende a selecionar espécies de crescimento rápido.

O resultado disso é que, cada vez mais, espécies com vida curta dominarão a floresta amazônica, colocando em risco espécies de crescimento lento. E se as árvores selecionadas pela mudança climática morrerem mais jovens, elas também armazenarão carbono por menos tempo. Isto pode levar a um ciclo que intensifica as mudanças climáticas e agrava cada vez mais a situação.

Os cientistas descobriram também outros fatores que causam a redução da expectativa de vida das árvores. O déficit hídrico é um dos responsáveis na região sul da Amazônia, indicando que as secas podem causar um grande impacto na expectativa de vida das árvores por lá.

Conforme estudos avançam e a situação da floresta se torna mais clara, os cientistas veem também novas oportunidades de ação. Há muito o que fazer, mas o que está acontecendo agora já deve servir como um alerta antecipado. Muito mais ocorrerá se as mudanças climáticas continuarem se intensificando.