O estranho fenômeno relâmpago bola

O relâmpago bola é um fenômeno estranho, misterioso, raro e que já foi confundido com objetos voadores não identificados (OVNIs) ou algum tipo de atividade paranormal. A complexidade do fenômeno despertou a curiosidade de cientistas da UFPE que já apresentaram uma possível explicação.

Davi Moura Davi Moura 27 Jul. 2019 - 12:37 UTC
O primeiro relato de relâmpago bola ocorreu em 1638, quando uma "grande bola de fogo" atravessou a janela de uma igreja inglesa.

O relâmpago bola (também conhecido como raio globular) é extremamente raro, e quando ocorre, dura apenas alguns segundos e por isso é difícil de ser registrado por alguma câmera. Relatos apontam que o relâmpago bola possui uma variedade de cores entre azul e laranja e que muitas vezes é acompanhado por um som de assobio e por um cheiro acre.

O primeiro registro oficialmente publicado em uma revista ocorreu somente em 2014. Os pesquisadores Jianyong Cen, Ping Yuan, and Simin Xue foram os responsáveis pelo artigo, onde foi relatado que o relâmpago bola registrado ocorreu em 2012, na China, durante uma tempestade no mês de Junho. O fenômeno durou apenas 1.64 segundos, mas foi o suficiente para os pesquisadores registrarem vídeo, áudio e 82 imagens.

A aparência do relâmpago bola é bem diferente do que estamos acostumados a ver durante uma descarga elétrica. Como o próprio nome sugere, o relâmpago bola é uma luminosidade esférica de aproximadamente 300mm que se propaga lentamente e aleatoriamente. Normalmente, ocorre acima de nuvens de tempestades, mas há relatos em que relâmpagos bolas ocorreram em regiões de céu claro (provavelmente induzido por alguma tempestade próxima da área). O ciclo médio de vida é do relâmpago bola é de 10 segundos e seu desaparecimento é repentino (causado por uma pequena “explosão” ou simplesmente um progressivo enfraquecimento da luminosidade).

Muitas teorias foram propostas ao longo dos anos para explicar este misterioso fenômeno. Atualmente, cientistas acreditam que o relâmpago bola é causado pela oxidação de nanopartículas devido a descargas elétricas comuns. Em outras palavras, os relâmpagos que estamos acostumados a ver durante tempestades elétricas podem ser a causa do surgimento do relâmpago bola.

Essa hipótese foi proposta e testada no ano 2000 por John Abrahamson e James Dinniss, onde os autores relataram que “quando um raio normal atinge o solo, a energia química é armazenada em nanopartículas de Si, SiO ou SiC, que são ejetadas no ar como uma rede lamentar. Como as partículas são lentamente oxidadas no ar, a energia armazenada é liberada como calor e luz”.

Em 2009, uma tese de doutorado da Universidade Federal de Pernambuco fez novos experimentos sobre o relâmpago bola e constatou o que John Abrahamson e James Dinniss haviam proposto, colocando assim, a oxidação de Si como a principal causa do fenômeno. Portanto, apesar do nome utilizado, o relâmpago bola não parece ser exatamente um relâmpago, já que sua causa se difere das descargas elétricas atmosféricas comuns.

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