Nova tecnologia australiana detecta mais de 20 sinais misteriosos no espaço

Uma equipe de pesquisadores australianos detectou mais de 20 sinais misteriosos no espaço após começar a analisar sinais intergalácticos. Veja os detalhes.

Impressão artística do radiotelescópio australiano SKA Pathfinder (ASKAP) do CSIRO observando “rajadas rápidas de rádio” no “modo olho de mosca”. Crédito: OzGrav/Universidade de Tecnologia de Swinburne.
Impressão artística do radiotelescópio australiano SKA Pathfinder (ASKAP) do CSIRO observando “rajadas rápidas de rádio” no “modo olho de mosca”. Crédito: OzGrav/Universidade de Tecnologia de Swinburne.

Este foi o primeiro teste de uma nova tecnologia desenvolvida por astrônomos e engenheiros da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO) da Austrália. Os resultados do estudo foram publicados no Publications of the Astronomical Society of Australia.

Andy Wang, do Centro Internacional de Radioastronomia, que liderou a pesquisa, disse que sua equipe encontrou mais objetos astronômicos do que esperava. O sistema especializado usado na pesquisa, chamado CRACO, foi criado para permitir que o radiotelescópio ASKAP do CSIRO detectasse rajadas de rádio misteriosas.

Usando essa nova tecnologia, os pesquisadores inicialmente encontraram duas rajadas rápidas de rádio e duas estrelas de nêutrons emitindo esporadicamente, além de localizar com mais precisão quatro pulsares. O incrível é que eles já localizaram mais de 20 dessas explosões.

Antenas do SKA Pathfinder australiano do CSIRO com a Via Láctea no alto. Crédito: Alex Cherney/CSIRO.
Antenas do SKA Pathfinder australiano do CSIRO com a Via Láctea no alto. Crédito: Alex Cherney/CSIRO.

A radioastrônoma Laura Driessen, da Universidade de Sydney, disse que uma explosão rápida de rádio era um flash de luz que ocorria com mais frequência longe da nossa galáxia e que, ao usar o CRACO para investigar suas origens, poderíamos encontrar até 1.000 rajadas por segundo.

Pesquisa e descobertas

Atualmente, não se sabe quão rápido as rajadas de rádio são produzidas. Então surge a pergunta: o que produz esses flashes de luz de rádio tão brilhantes e tão curtos vindos de todo o Universo, de todas as distâncias, de todas as direções, praticamente de todos os lugares?

Podemos usá-los como uma espécie de ferramenta para investigar o Universo, mas também queremos descobrir o que está acontecendo com eles em primeiro lugar - disse Laura Driessen.

E o que é o CRACO? Pesquisadores disseram que é uma coleção de computadores e aceleradores conectados ao radiotelescópio ASKAP. Antes de sua adoção, o radiotelescópio ASKAP usava o CRAFT para identificar rajadas rápidas de rádio.

O astrônomo e engenheiro do CSIRO Keith Bannister, que desenvolveu o CRACO, disse que a nova tecnologia aproveitou a visão em tempo real do radiotelescópio ASKAP para encontrar rajadas de rádio rápidas, escaneando grandes volumes de dados (100 bilhões de pixels por segundo) para detectar e identificar sua localização.

As rajadas foram detectadas observando seu tempo e frequência, tratando o céu como um grande pixel e calculando se algo dentro dele muda de brilho ao longo do tempo. Estão procurando por algum tipo de flash no espaço, mas em um único pixel gigante. Se a câmera do seu celular tivesse apenas um pixel, você não tiraria fotos legais, por exemplo.

Vantagens da nova técnica

O método anterior exigia etapas adicionais para localizar as rajadas, algo que o CRACO não precisa. Então, em vez de procurar um pixel, você olha para a imagem inteira e, em vez de procurar o brilho no céu em uma área geral, você olha para a imagem inteira e detecta exatamente de onde esses brilhos estão vindo.

O que isto significa? De acordo com Driessen, o uso do CRACO aumentará o número de rajadas rápidas de rádio localizadas, o que significa que sua posição no Universo será conhecida.

Exemplo de uma galáxia hospedando uma rajada rápida de rádio identificada pelo sistema CRACO. Crédito: Yuanming Wang/Colaboração CRAFT.
Exemplo de uma galáxia hospedando uma rajada rápida de rádio identificada pelo sistema CRACO. Crédito: Yuanming Wang/Colaboração CRAFT.

Isso é importante porque, se soubermos apenas sua direção geral, não poderemos dizer de qual galáxia veio a rajada, e saber de qual galáxia ela veio nos diz muito sobre o que pode tê-la gerado.

Se pudermos vincular cada rajada à galáxia de onde ela veio, poderemos medi-la usando técnicas em outras frequências. Então, em particular, usando técnicas ópticas, podemos medir a distância até aquela galáxia, e é aí que essas rajadas rápidas de rádio fornecerão informações essenciais sobre o Universo.

Colaboração e etapas futuras

O sistema CRACO foi desenvolvido após uma colaboração entre o CSIRO e pesquisadores australianos. Foi parcialmente financiado por uma bolsa do Conselho Australiano de Pesquisa. A colaboração internacional foi crucial para o desenvolvimento e o sucesso desta tecnologia inovadora.

O futuro da pesquisa parece promissor: com a capacidade de detectar rajadas rápidas de rádio com maior precisão e frequência, os astrônomos esperam desvendar mais mistérios do Universo. A tecnologia também pode abrir novos caminhos para a pesquisa astronômica e melhorar nossa compreensão do cosmos.

Além disso, a implantação em outros radiotelescópios ao redor do mundo poderia expandir ainda mais o escopo dessas investigações. A comunidade científica está entusiasmada com as possibilidades oferecidas por essa tecnologia e espera que ela continue fornecendo descobertas significativas nos próximos anos.

Este é um grande avanço na radioastronomia, permitindo que pesquisadores explorem o Universo de maneiras antes inimagináveis. Com cada nova explosão rápida de rádio detectada, chegamos um passo mais perto de entender os segredos do cosmos.

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