Fevereiro de 2025 foi o terceiro mais quente da história, puxado por temperaturas extremas na América do Sul e no Ártico
Fevereiro de 2025 foi o terceiro mais quente da história globalmente, com temperatura média de 13,36°C, segundo o Observatório Copernicus. O mês registrou grandes anomalias positivas na América do Sul e no Ártico.

Fevereiro de 2025 deu continuidade à sequência de temperaturas recordes – ou quase – observadas ao longo dos últimos dois anos. A anomalia global foi de 1,59°C acima da média do período pré-industrial (1850-1900), consolidando a tendência persistente de aquecimento. Uma das consequências de um mundo mais quente é o derretimento do gelo marinho, que também atingiu um mínimo histórico no mês passado.
February 2025 #C3S Climate Bulletin: Third warmest February globally. Global average temperature was 0.63°C above 1991-2020 average. 1.59°C above pre-industrial levels highlights persistent warming trends. Full Climate Bulletin: https://t.co/v8UQWjQeLo pic.twitter.com/CfKWnKAxRU
Copernicus ECMWF (@CopernicusECMWF) March 6, 2025
Os dados são do último boletim do Observatório Copernicus, serviço europeu de monitoramento climático, que utiliza a reanálise ERA5 — uma das bases de dados atmosféricos mais consolidadas do mundo.
Calor extremo na América do Sul e no Ártico impulsionam anomalias globais
A temperatura média global da superfície do ar em Fevereiro de 2025 atingiu 13,36°C, ficando 0,63°C acima da média de 1991-2020, período de referência para o clima atual.
Em relação ao período pré-industrial, a anomalia foi de 1,59°C, ficando atrás apenas de 2024 e de 2016, e ligeiramente acima de 2020, como destacado no gráfico abaixo. Esse foi o 19º mês dos últimos 20 com temperaturas globais superiores a 1,5°C acima do nível pré-industrial.

Fevereiro de 2025 registrou temperaturas acima da média em diversas regiões, especialmente no Ártico, no norte do Chile e Argentina, no oeste da Austrália e no sudoeste dos EUA e México. Nestas regiões, as anomalias alcançaram até 7°C acima da média.

Na Argentina, uma bolha de calor persistente elevou as temperaturas a níveis recordes, impactando populações e setores como agricultura e energia. Esta bolha de calor afetou diretamente as regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil, que sofreram com uma sequência de ondas de calor e temperaturas que ultrapassaram os 40°C durante vários dias.

Essa condição extrema se refletiu também em anomalias negativas de precipitação e de umidade do solo, não somente em Fevereiro (imagem acima, à esquerda) no cone sul da América do Sul, como também no verão austral (direita), considerando Dezembro-Janeiro-Fefereiro.
Extensão do gelo marinho atinge novo recorde mínimo global
A extensão global diária do gelo marinho, que combina as áreas congeladas nos pólos Norte e Sul, atingiu um novo mínimo histórico no início de Fevereiro de 2025. Durante o restante do mês, permaneceu abaixo do recorde anterior estabelecido em Fevereiro de 2023.
Para os pólos Norte e Sul, destacamos:
- Ártico: a extensão do gelo marinho registrou sua menor cobertura para um mês de Fevereiro, ficando 8% abaixo da média. Este foi o terceiro mês consecutivo em que a extensão do gelo estabeleceu um novo recorde mínimo para o respectivo mês.
- Antártida: o gelo marinho antártico registrou sua quarta menor extensão mensal para Fevereiro, ficando 26% abaixo da média. No final do mês, a extensão diária do gelo pode ter atingido seu mínimo anual, mas este dado ainda será validado no decorrer de Março.

A redução contínua da cobertura de gelo marinho em ambos os pólos reforça os impactos do aquecimento global e destaca a crescente vulnerabilidade das regiões polares.
O planeta em alerta: sinais crescentes de um clima em transformação
Segundo Samantha Burgess, líder estratégica para o Clima no ECMWF, esses eventos refletem o impacto direto das mudanças climáticas em escala global.
Os dados de Fevereiro de 2025 reforçam a necessidade urgente de ações concretas para limitar o aquecimento global. A persistência de temperaturas elevadas e eventos extremos ressalta a importância do cumprimento das metas do Acordo de Paris, que visa limitar o aquecimento a bem abaixo de 2°C e buscar esforços para mantê-lo em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
No entanto, os últimos registros mostram que a janela para atingir esse objetivo está se fechando rapidamente, exigindo respostas imediatas e eficazes da comunidade internacional.
Referência da Notícia
Copernicus: Global sea ice cover at a record low and third-warmest February globally, publicado em 05 de Março de 2025
Precipitation, relative humidity, and soil moisture for February 2025, publicado em 05 de Março de 2025
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