Excesso de sal: Brasil pode evitar 63 mil mortes cardiovasculares até 2038
Estudo projeta que políticas mais fortes para reduzir o sal no Brasil poderiam evitar milhares de casos de infarto e AVC até 2038, com maior impacto no uso de sal enriquecido com potássio.

O sal está presente em quase todas as cozinhas brasileiras, mas o consumo excessivo continua sendo um problema silencioso para a saúde pública. Um novo estudo estima que estratégias mais fortes para reduzir o sal na alimentação poderiam evitar milhares de casos de doenças cardiovasculares no Brasil nas próximas duas décadas.
O excesso está associado ao aumento da pressão arterial, que por sua vez eleva o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares.
Menos sal pode aliviar o coração e o SUS
A pesquisa usou um modelo de microsimulação para estimar o impacto de diferentes políticas de redução de sal entre 2019 e 2038. Na prática, os autores compararam o que poderia acontecer se o país mantivesse apenas as metas voluntárias atuais ou adotasse medidas mais amplas, como limites obrigatórios de sódio, alertas frontais nas embalagens e sal de mesa com parte do sódio substituída por potássio.

Os resultados indicam que manter as metas voluntárias atuais já teria algum efeito, com cerca de 280 mil casos cardiovasculares e 5,7 mil mortes evitadas ou adiadas. Mas políticas mais fortes teriam impacto maior: limites obrigatórios para o sal em alimentos industrializados poderiam evitar 590 mil casos cardiovasculares e cerca de 12 mil mortes no período analisado.
O maior impacto aparece com o sal enriquecido com potássio
Entre os cenários avaliados, o uso universal de sal de mesa com 10% de potássio foi o que apresentou maior benefício potencial. De acordo com o estudo, essa substituição, combinada à manutenção das metas voluntárias, poderia evitar ou adiar aproximadamente 870 mil casos cardiovasculares e 63 mil mortes por doenças cardiovasculares até 2038.
Ainda assim, os autores destacam que qualquer mudança ampla desse tipo precisa ser planejada e monitorada, especialmente por causa de pessoas com doenças renais ou risco de alteração nos níveis de potássio no sangue.
Os principais cenários analisados foram:
- manutenção das metas voluntárias atuais para alimentos industrializados;
- limites obrigatórios mais rígidos de sódio em produtos processados e ultraprocessados;
- alertas frontais nas embalagens para excesso de sódio;
- uso de sal de mesa com 10% de potássio.
Embalagens e indústria entram no centro da discussão
O estudo também mostra que a redução do sal não depende apenas da escolha individual. No Brasil, mais de 55% do sal consumido ainda vem do sal de mesa, mas quase 40% já vem de alimentos industrializados.
Para os autores, medidas obrigatórias tendem a ser mais efetivas do que acordos voluntários, porque alcançam todo o mercado e criam mecanismos mais fortes de cumprimento.
Além dos ganhos em saúde, o estudo estima economias expressivas em tratamentos de infarto e AVC, chegando a cerca de $ 2,2 bilhões no cenário do sal com potássio. Em um país onde doenças cardiovasculares pesam sobre famílias e sobre o SUS, reduzir o sal pode ser uma das formas mais diretas de prevenir mortes evitáveis.
Referência da notícia
Estimated health and economic effects of different salt reduction strategies on cardiovascular disease in Brazil: a microsimulation analysis. 30 de abril, 2026. Nilson, E.A.F., Pearson-Stuttard, J., Collins, B. et al.
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