Estudo revela o aumento de lagos glaciais ao redor do mundo

Um artigo publicado no final do mês passado revela que os lagos glaciais estão aumentando ao longo das últimas décadas em todo o mundo. Além de ser uma importante fonte de água doce para muitas pessoas, a drenagem desses lagos se torna uma ameaça às comunidades e infraestruturas a jusante.

Lago formado por derretimento de geleira.
Exemplo de um lago glacial.

Cientistas identificaram que os lagos glaciais têm crescido muito rápido em todo o mundo ao longo das últimas décadas. A conclusão foi feita por uma pesquisa publicada recentemente. O estudo que utilizou imagens de satélite mostra um aumento crescente de 53% do fenômeno entre os anos de 1990 e 2018.

De acordo com os pesquisadores que analisaram uma série de imagens de satélite, há 14.394 lagos glaciais espalhados por quase 9.000 km² na superfície do planeta. Estima-se que o volume desses lagos também tenha aumentado.

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“Nossas descobertas mostram a rapidez com que os sistemas da superfície da Terra estão respondendo às mudanças climáticas e a natureza global disso”, disse Stephan Harrison, professor de mudança climática e ambiental da Universidade de Exeter (Inglaterra). “Nossos resultados ajudam a preencher uma lacuna na ciência, pois até agora não se sabia quanta água havia nos lagos glaciais do mundo”.

Lagos glaciais se formam a partir do derretimento de uma geleira, sendo uma importante fonte de água doce para muitas pessoas em várias regiões do mundo, sobretudo nas montanhas da Ásia e partes da América do Sul.

Na Escandinávia, Islândia e Rússia, o crescimento dos lagos mais que dobrou durante o período de estudo. No entanto, em outras partes do mundo como na Patagônia e no Alasca o crescimento foi mais lento. Apesar disso, três lagos patagônicos alcançaram 3.582 km², um aumento de 27 km² desde 1990, segundo o artigo publicado na Nature Climate Change.

Em outros locais do globo o cenário apresenta uma maior variabilidade. Esse é o caso da Groenlândia, onde ao norte da ilha o crescimento dos lagos é rápido, enquanto no sudoeste ocorre o oposto, possivelmente porque os lagos já haviam sido drenados.

O derretimento acelerado de geleiras pode ser um problema para as comunidades que vivem em vales, já que a rápida drenagem dos lagos glaciais pode inundar rapidamente zonas habitadas. Contudo, os cientistas destacam que as principais ameaças atuais seriam para as usinas hidrelétrica no Himalaia, os oleodutos Trans-Alaska que atravessam montanhas que abrigam glaciais e ainda para rodovias importantes como na fronteira do Paquistão com a China, local de transporte de bilhões de dólares em mercadorias anualmente.

“À medida que os lagos ficam maiores, há mais água neles para drenar rapidamente e produzir inundações repentinas”, disse Harrison. “Esse é um perigo real em muitos vales conectados as geleiras em parte do Himalaia e Andes, por exemplo”, completou o pesquisador.

“Essas inundações proporcionadas por lagos glaciais mataram dezenas de milhares de pessoas no século passado e destruíram infraestruturas valiosas, como usinas hidrelétricas”.

Em fevereiro deste ano, uma onda de calor na Antártica foi responsável pela aparição de lagos glaciais no centro da Ilha Eagle. "Não vi lagoas de derretimento se desenvolverem tão rapidamente na Antártica", disse Mauri Pelto, glaciologista do Nichols College, em Massachusetts, em um comunicado de imprensa da NASA. "Você vê esses tipos de eventos de derretimento no Alasca e na Groenlândia, mas geralmente não na Antártica".

De acordo com Pelto, esse tipo de fenômeno é causado por temperaturas que persistem significativamente acima do ponto de congelamento. “Se você pensa sobre este evento em fevereiro, não é tão significativo, é mais significativo que estes eventos ocorram com mais frequência”, acrescentou o glaciologista.