Estudo associa a poluição do ar a transtornos mentais

A Organização Mundial da Saúde vincula a poluição do ar a doenças mortais como o câncer de pulmão. Porém, novos estudos sugerem que as regiões poluídas também podem auxiliar em casos de distúrbios neurológicos como depressão e transtorno bipolar.

Davi Moura Davi Moura 05 Out. 2019 - 13:05 UTC
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a poluição do ar mata cerca de 7 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.

Geralmente, a poluição do ar está presente em grandes centros urbanos e está relacionada a doenças pulmonares. Uma pesquisa recente mostra uma associação entre a poluição do ar e transtornos psicológicos. Os pesquisadores analisaram dados dos EUA e da Dinamarca para estabelecer seu vínculo. Nos EUA, eles analisaram 11 anos de dados de seguro de saúde para 151 milhões de pessoas que apresentaram pedidos de quatro transtornos psiquiátricos: transtorno bipolar, depressão, transtorno de personalidade e esquizofrenia. Eles também analisaram a epilepsia e a doença de Parkinson.

Os dados do estudo incluem dados de qualidade do ar, da água e da terra da EPA por município e analisaram onde as reivindicações de seguros e as taxas de poluição intensa se sobrepunham. A poluição do ar e o transtorno bipolar surgiram como a mais forte sobreposição. Nos Estados Unidos, os cientistas descobriram que municípios com a pior qualidade do ar, como indicado pela Agência de Proteção Ambiental, tiveram um aumento de 27% no transtorno bipolar e de 6% na depressão, quando comparados à média nacional.

O autor do estudo e o geneticista da Universidade de Chicago Andrey Rzhetsky é cuidadoso ao observar que o estudo não prova definitivamente que a poluição do ar causa doenças mentais, mas ele afirma que a poluição aumenta o risco. Para replicar suas descobertas nos EUA, os pesquisadores também colaboraram com cientistas dinamarqueses para estudar o efeito da poluição na Dinamarca. Ao contrário dos EUA, os dados dinamarqueses analisavam não somente os dados regionais, mas o quanto um indivíduo é exposto à poluição do ar durante a infância. Semelhante aos EUA, a exposição à poluição do ar foi associada a taxas mais altas de transtorno bipolar e depressão.

Pessoas usam máscaras de proteção em Pequim (China) para diminuir os efeitos da poluição. Fonte: Exame.

Estudos semelhantes no Reino Unido, China e Coréia do Sul também encontraram uma ligação entre lugares poluídos e problemas de saúde mental. Na Inglaterra, os cientistas estão monitorando atualmente como a qualidade do ar da cidade pode estar afetando 250 crianças. As crianças vão usar mochilas de monitoramento de ar que observam quando e onde encontram mais poluição. As autoridades da cidade dizem que essas informações os ajudarão a melhorar a saúde pública.

Em uma pesquisa publicada no ano passado, cientistas em Pequim descobriram que a inalação de partículas poluentes causa a diminuição da inteligência nas pessoas, levando a menores pontuações verbais e matemáticas. O autor do estudo, Xin Zhang, especulou na época que a poluição estava danificando a substância branca no cérebro.

Enquanto os cientistas ainda tentam estabelecer firmemente um elo entre poluição e problemas de saúde mental, o benefício psicológico de estar na natureza já está firmemente estabelecido: quando passamos um tempo na natureza - seja um deserto intocado ou um parque local -, fazemos um favor ao nosso cérebro estressado do cotidiano.

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