Estudante de 12 anos cria cápsula ecológica com resíduos de cana-de-açúcar no Amapá
Desenvolvida pelo estudante Benjamin Pereira de Brito, solução reaproveita fibras que seriam descartadas para proteger sementes e auxiliar o desenvolvimento de plantas em diferentes tipos de solo e ambientes.

Aos 12 anos, o estudante Benjamin Pereira de Brito desenvolveu em Macapá (AP) uma cápsula ecológica produzida com resíduos de cana-de-açúcar. A solução utiliza fibras que seriam descartadas para envolver e proteger sementes durante o plantio, buscando favorecer o desenvolvimento das plantas e, ao mesmo tempo, reaproveitar resíduos.
A ideia surgiu em 2024, depois que Benjamin leu sobre a produção brasileira de cana-de-açúcar e começou a pensar em alternativas para reutilizar as fibras da planta. A partir daí, com orientação da professora Soraya Cristina Leal, do Instituto Nacional Leva Ciência, a proposta foi transformada em um projeto científico.
O estudante passou a realizar testes em laboratório para avaliar a eficiência da chamada “eco cápsula” e verificar possíveis impactos do material no solo e no meio ambiente. Mudas foram plantadas durante os experimentos e parte das cápsulas também foi doada à 22ª Brigada de Infantaria de Selva para aplicação prática.
Resíduo ganha nova utilização
A escolha da cana-de-açúcar está relacionada à grande quantidade do produto cultivada no Brasil. No ciclo 2024/2025, a produção nacional chegou a cerca de 676 milhões de toneladas, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para a safra 2026/2027, a previsão citada no projeto é de 705,2 milhões de toneladas.
Com os primeiros resultados, o estudante passou a investigar novas possibilidades para a invenção. Atualmente, testa a cápsula em diferentes tipos de solo e condições ambientais para avaliar seu comportamento e identificar possíveis aplicações.
Projeto pode ser testado em reflorestamento
Uma das possibilidades estudadas é o uso das cápsulas em pequenas áreas de reflorestamento. Os experimentos ainda buscam determinar até que ponto o material pode contribuir para esse tipo de plantio e em quais condições apresenta melhores resultados.

Para a professora Soraya Cristina Pereira Leal, que acompanha Benjamin, projetos desse tipo também aproximam crianças e adolescentes da ciência ao estimular a curiosidade e a procura por soluções para problemas ambientais e situações do cotidiano.
A experiência já levou o jovem pesquisador a feiras científicas, congressos e competições em diferentes estados brasileiros, incluindo Pernambuco e Rio Grande do Sul. O projeto também rendeu premiações e uma credencial para que Benjamin participe de um evento científico no Kuwait.
Ciência desde a infância
Além de desenvolver a cápsula, Benjamin pretende continuar aperfeiçoando a ideia e investigando novas formas de plantio. Os próximos testes serão importantes para compreender as possibilidades e limitações da solução antes de aplicações em maior escala.
Para o estudante, o resultado representa uma oportunidade de usar a pesquisa para contribuir com o meio ambiente. Ao transformar um resíduo agrícola em objeto de investigação científica, o projeto também demonstra como ideias desenvolvidas ainda na escola podem abrir caminhos para pesquisas voltadas à reutilização de materiais e à recuperação ambiental.
Referência da notícia
Portal Amazônia. (2026). Estudante de Macapá desenvolve cápsula ecológica com resíduos de cana-de-açúcar.