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Dust Devils dificultam a coleta de dados em Marte

Nuvens de poeira ocorrem diariamente em Marte e tem causado estragos em vários equipamentos, como nas sondas InSight, Opportunity e Spirit. Até então, não se sabia o que realmente provocava essas nuvens de poeira. Saiba mais aqui!

Dust Devil; Marte
O 'Spirit', rover de exploração da NASA em Marte, utilizou a sua câmera de navegação para gravar esta cena no dia em que chegou à área de crista de "Husband Hill", dentro da cratera de Gusev. Foi o 581º dia marciano do 'Spirit' em 21 de agosto de 2005. Fonte: Wikimedia Commons

Estes equipamentos, que costumam ser afetados pela poeira, não são montados para monitorar o comportamento da mesma. E se fosse, ele seria enviado para um local de Marte em que não há muita poeira. Porém, agora isso mudou com as novas leituras do Perseverance na cratera de Jezero. Observou-se que os redemoinhos de poeira (ou 'dust devils') são fontes de parte da poeira na atmosfera de Marte. Contudo, além deste fator, os ventos fortes também contribuem com uma quantidade significativa.

De acordo com um novo artigo publicado na revista Science Advances - elaborado por uma equipe de mais de 45 cientistas – há agora registros dos dados coletados pelos instrumentos do Perseverance. O Sensor de Radiação e Poeira (RDS) integra um pacote mais amplo de instrumentos conhecido como Analisador de Dinâmica Ambiental de Marte (MEDA).

Este instrumento pode detectar mudanças nas condições do ambiente que ocorreriam em torno do rover, aproximadamente uma vez por segundo. A causa mais provável destas alterações seria a presença de 'Dust Devils'.

Vários instrumentos em Marte para entender o fenômeno

No entanto, isto não é suficiente para detectar estas alterações, dado que poderiam estar sendo originadas por outras fontes que não os 'Dust Devils'. Neste sentido, foi decidido que o RDS combinaria as suas capacidades com outro instrumento pertencente ao MEDA: o Sensor de Infravermelhos Térmicos (TIRS), cuja função é providenciar dados sobre o fluxo radiativo de rastreio em torno do rover.

A combinação dos dados coletados por estes dois instrumentos permitirá aos cientistas perceber de um modo abrangente se um redemoinho de poeira atingiu ou não o rover.

Dust Devil; NASA; Marte
Movimentos verticais do ar suficientemente poderosos podem dar origem ao fenômeno conhecido como 'Dust Devil' ou redemoinho de poeira, como o que aparece nesta imagem. Créditos: HiRISE, MRO, LPL (U. Arizona), NASA

Isto é algo que acontece frequentemente, cerca de quatro vezes por dia, quando o rover fica sujeito a "vórtices convectivos", termo técnico para os movimentos verticais do ar que são suficientemente fortes para serem sentidos.

Um em cada quatro destes vórtices levanta poeira suficiente para formar o fenômeno que conhecemos como 'Dust Devil'. Aparentemente, a sua existência poderia ser a origem da maior parte da poeira que chega ao ar. Contudo, não é a única fonte.

Além dos Dust Devils, a existência de ventos fortes

Também foram coletadas algumas evidências de fortes rajadas de vento, que não são capazes de se transformar em um 'Dust Devil', mas que podem forçar uma quantidade significativa de poeira a levantar no ar por si própria.

Embora não necessariamente tão poderosas como os redemoinhos de poeira, a área que as rajadas de vento cobriam era muito maior: a maior delas com tamanho dez vezes maior do que o maior redemoinho de poeira. Apesar de ser muito mais fraco, era perfeitamente capaz de lançar grãos de poeira de dimensões bastante mais reduzidas, minúsculas, para a atmosfera.

A poeira na atmosfera de Marte pode ser gerada tanto por poderosos 'Dust Devils', como por fortes rajadas de vento mais concentradas. A compreensão deste mecanismo de movimento vertical do ar constituirá um grande avanço na compreensão do ambiente marciano.

Segundo os cientistas, há uma quantidade relativamente semelhante de poeira na atmosfera marciana que poderia ser causada pelos 'Dust Devils' e pelas rajadas de vento mais concentradas e direcionadas.

Mas, independentemente disso, a presença de instrumentos em Marte capazes de coletar dados sobre a origem da poeira constitui um avanço na compreensão do ambiente marciano e pode, também, contribuir para uma forma de perturbar este processo potencialmente destrutivo.