Como é que um algoritmo de Oxford pode revolucionar as previsões climáticas do IPCC?

Uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford desenvolveu um algoritmo que poderá transformar radicalmente a forma como as projeções climáticas do IPCC são desenvolvidas. Descubra como este algoritmo inovador pode ser um fator de mudança.

O algoritmo de Oxford melhoraria a precisão das projeções climáticas, fornecendo informações mais fiáveis aos decisores políticos.
O algoritmo de Oxford melhoraria a precisão das projeções climáticas, fornecendo informações mais fiáveis aos decisores políticos.

As alterações climáticas são um dos maiores desafios do nosso tempo. Antecipar e compreender os seus efeitos é crucial para o desenvolvimento de políticas e estratégias eficazes. Tendo isto em mente, os modelos informáticos desempenham um papel essencial no fornecimento de projeções das futuras alterações climáticas.

O desafio do “spin-up"

As projeções climáticas do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) baseiam-se em modelos informáticos sofisticados, conhecidos como Modelos do Sistema Terrestre (ESM's). Estas ferramentas simulam a resposta da terra, dos oceanos e da atmosfera às emissões de gases com efeito de estufa (GEE), fornecendo instrumentos poderosos para a previsão de futuras alterações ambientais. No entanto, os ESM são extremamente intensivos em termos de computação.

Apesar da sua fiabilidade, enfrentam um grande desafio técnico: o tempo necessário para iniciar as simulações, um período chamado “spin-up” que pode durar até dois anos. Este período é importante para que o modelo atinja um equilíbrio representativo das condições pré-industriais, essencial para avaliar o impacto humano no clima. Sem esta estabilização inicial, os resultados podem ser distorcidos, comprometendo a precisão das projeções climáticas.

Solução revolucionária

O algoritmo desenvolvido pelo Professor Samar Khatiwala e a sua equipa na Universidade de Oxford promete revolucionar este processo. Inspirado na técnica de aceleração de sequências, este algoritmo, denominado Anderson Acceleration (AA), tem por objetivo acelerar a convergência para o equilíbrio dos modelos oceânicos e terrestres. Ao otimizar o processo iterativo de spin-up, reduz significativamente o tempo de arranque dos ESM's.

O teste do algoritmo em modelos utilizados pelo IPCC revelou resultados significativos. Em média, o algoritmo permite que o modelo arranque dez vezes mais depressa. Mais precisamente, esta técnica pode acelerar a convergência para o equilíbrio de uma grande variedade de modelos geoquímicos oceânicos em 10 a 25 vezes. Esta abordagem não só representa uma enorme poupança de tempo, energia e recursos computacionais para os investigadores, como também pode melhorar a fiabilidade das projeções climáticas, reduzindo as incertezas associadas aos modelos.

Perspectivas futuras

O algoritmo de Oxford melhoraria a precisão das projeções climáticas, fornecendo aos decisores políticos informações mais exatas e fiáveis para os orientar na luta contra as alterações climáticas. Esta solução robusta e escalável deverá permitir uma utilização mais eficaz dos ESM's para resolver problemas científicos e sociais importantes.

Ao acelerar o arranque dos modelos, abre novas perspetivas para a investigação e a tomada de decisões no domínio das alterações climáticas. Com o desenvolvimento de novas simulações do Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados (CMIP) em curso, este estudo é oportuno, oferecendo um potencial considerável para transformar a forma como compreendemos e antecipamos os futuros desafios climáticos.

Referência da notícia:

Samar Khatiwala, Efficient spin-up of Earth System Models using sequence acceleration.Sci. Adv.10,eadn2839(2024). DOI:10.1126/sciadv.adn2839