Cientistas conseguem transformar plásticos em combustível: o sistema que os convertem em energia

Este novo processo alcança três resultados de uma só vez: transforma o plástico mais comum em hidrogênio de alta pureza e, ao mesmo tempo, solidifica o CO2, evitando assim a sua liberação na atmosfera.

Transformação de plástico por meio de um novo tratamento térmico alcalino, resultando em um biomaterial de hidrogênio livre de emissões. Imagem cortesia da UCLA Newsroom.
Transformação de plástico por meio de um novo tratamento térmico alcalino, resultando em um biomaterial de hidrogênio livre de emissões. Imagem cortesia da UCLA Newsroom.

Quanto plástico existe realmente no planeta? É uma pergunta para a qual, quase certamente, nunca teremos uma resposta. Independentemente das estimativas que possamos fazer, a preocupação com a situação cresce — ainda que lentamente — em contraste com a rápida escalada do problema em si; a realidade é que, a cada minuto que passa, há mais plástico no planeta.

Em meio a diversas iniciativas e campanhas voltadas para mitigar a questão, cientistas de todo o mundo continuam buscando soluções eficazes para erradicar o problema rapidamente, sem causar mais danos ao planeta e às suas esferas (ou seja, sem criar novas fontes de poluição da água, do ar ou do solo).

Das profundezas dos oceanos às nuvens — e até mesmo em nosso sangue —, o plástico alcançou todos os espaços ao nosso redor, persistindo no meio ambiente e permanecendo com as futuras gerações por séculos.

Um dos projetos de pesquisa mais interessantes a apresentar resultados promissores recentemente — em julho deste ano — foi publicado pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), e pela Ewha Womans University, na Coreia do Sul.

Este estudo não apenas desenvolveu com sucesso um processo capaz de transformar a reciclagem de plásticos no futuro sem gerar poluição adicional, mas também oferece uma via nova e altamente eficiente para a geração de energia limpa.

Do plástico ao hidrogênio: uma transformação sem emissões

Misturar plásticos para transformá-los? O resultado dessa nova proposta é nada menos que hidrogênio de alta pureza, obtido pela combinação de três tipos comuns de plástico: PET, polietileno e polipropileno.

Isso é alcançado por meio de um novo processo chamado tratamento térmico alcalino, que utiliza temperaturas até 400°C mais baixas do que as empregadas em processos convencionais de gaseificação, permitindo que o dióxido de carbono liberado durante o processo seja capturado e transformado em sua forma sólida.

Estudos demonstraram que milhões de microplásticos estão presentes no ar, na água e no solo, com um período de decomposição que pode levar centenas de anos.
Estudos demonstraram que milhões de microplásticos estão presentes no ar, na água e no solo, com um período de decomposição que pode levar centenas de anos.

Ao utilizar hidróxido de sódio e uma diferença de temperatura tão significativa (esse processo geralmente opera em temperaturas entre 700°C e 1300°C), essa técnica demanda menos energia e, ao mesmo tempo, produz hidrogênio com pureza superior a 90% — um nível muito próximo do padrão exigido para aplicação em tecnologias de energia limpa.

Além disso, a capacidade de capturar o dióxido de carbono emitido durante o processo evita que o gás seja liberado na atmosfera e a polua, criando também a oportunidade de aproveitar o material sólido resultante; uma vez transformado, esse material pode ser utilizado em setores como manufatura e construção civil, entre outros.

Segundo dados da UCLA, menos de 10% do plástico descartado é reciclado, quase 80% acaba em aterros sanitários e nos oceanos, enquanto cerca de 10% é incinerado, liberando gases poluentes na atmosfera durante o processo.

Embora este projeto ainda esteja em fase experimental e precise passar por um processo de implementação industrial fora do laboratório, os resultados são promissores no que diz respeito à redução de custos na triagem e separação de materiais plásticos, à produção de hidrogênio de alta pureza e ao gerenciamento e aproveitamento dos resíduos remanescentes.

Um problema que tem uma janela de oportunidade

Desde 2020, diversas iniciativas de pesquisa e projetos surgiram na tentativa de mitigar esse problema crescente, visto que a maioria dos bens essenciais atuais contém, infelizmente, algum tipo de plástico.

Em 2025, pesquisadores japoneses publicaram uma descoberta sobre o desenvolvimento de um plástico à base de celulose altamente durável, que se degrada completamente em água salgada; e, no início de 2026, foi anunciado um projeto que decompõe o plástico utilizando enzimas, degradando com sucesso até 90% das garrafas PET.

É importante ressaltar que a adoção de bioplásticos no cotidiano e a implementação de novas estratégias para mitigar o impacto desse material ainda podem levar muito tempo; portanto, a melhor oportunidade de promover mudanças nessa questão está na decisão de cada um de nós de gerar a menor quantidade possível de resíduos plásticos em nosso dia a dia.

Referência da notícia

Park, et al. (2026). Selective and direct hydrogen generation from mixed plastic waste via alkaline thermal treatment with inherent carbon storage.