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Características da Baixa do Chaco e do Noroeste da Argentina

Dois sistemas de baixa pressão na América do Sul são frequentemente confundidos e até mesmo considerados como um único sistema: a Baixa do Chaco e a Baixa do Noroeste da Argentina. Porém, as características térmicas e dinâmicas desses sistemas são distintas.

Baixa do Chaco, Baixa Noroeste da Argentina, Verão
A Baixa do Chaco e a Baixa do Noroeste da Argentina estão relativamente próximos, porém se tratam de diferentes sistemas.

A Baixa do Chaco (BCH) é um sistema de baixa pressão que se forma entre a bacia amazônica e o norte da Argentina nos meses chuvosos. Ao leste dos Andes e a noroeste da Argentina, outro sistema de baixa pressão está presente: a Baixa do Noroeste da Argentina (BNOA). A BNOA é muitas vezes confundida com a BCH (e vice-versa) devido aos campos climatológicos de modelos numéricos de tempo e clima que mostram apenas um centro de baixa pressão entre a bacia amazônica e o noroeste da Argentina.

Em geral, ambos os sistemas são marcantes nos meses de verão e são componentes do sistema de monção da América do sul. Embora a BCH e a BNOA apareçam nos mapas como um único centro de baixa pressão, os sistemas possuem características dinâmicas e térmicas muito diferentes, como por exemplo, o grau de baroclinia nas regiões de formação, as massas de ar em que os sistemas estão embebidos, a instabilidade convectiva e as variabilidades diurnas e noturnas.

Para caracterizar cada sistema, Seluchi e Saulo (2012) realizaram um estudo utilizando dados de reanálise dos meses de verão (meses chuvosos) entre 2000 e 2004. Os autores observaram que a BNOA está relacionada a variabilidades diárias da pressão ao nível médio do mar e da temperatura potencial adiabática equivalente. Por outro lado, a BCH se desenvolve em uma atmosfera mais instável e sofre menos influência das latitudes médias.

A BNOA se desenvolve em uma massa de ar típica de latitudes médias que sofre influência dos Jato Subtropical. A região de formação da BNOA é uma área características mais desérticas e isso produz uma grande amplitude diurna de temperatura, umidade e pressão. Verticalmente, a BNOA apresenta menos instabilidade convectiva em relação a BCH. Durante a passagem de sistemas frontais (provenientes do sul), o Jato Subtropical associado a frente pode interagir com os Andes e produzir a subsidência orográfica forçada que rapidamente intensifica a BNOA. Porém, quando a frente fria avança pelo norte da Argentina, a advecção fria pós-frontal causa a inibição ou destruição da BNOA. Por outro lado, a BCH raramente é afetada por frentes frias no verão.

A BCH, por sua vez, se desenvolve em uma atmosfera mais instável, mais úmida e está embebida em uma massa de ar mais típica de latitudes tropicais. Essas características determinam variabilidades diurnas de temperatura, umidade e pressão menores em relação a BNOA. Verticalmente, a BCH está relacionada com uma alta pressão em altos níveis denominada Alta da Bolívia.