A origem do nome do fenômeno climático "El Niño" está relacionada com o Natal

A origem do nome do fenômeno El Niño está relacionada com a observação. Contamos-lhe como os pescadores peruanos associaram as mudanças de temperatura no mar ao Natal.

Natal
No catolicismo, o Natal é marcado pelo nascimento do "Menino Jesus".

Certamente que já leu informações sobre os fenómenos El Niño e La Niña e os impactos que causam em todo o planeta: secas, inundações e temperaturas extremas; mas alguma vez se questionou sobre a origem do nome do fenômeno?

A origem do nome está relacionada com algo muito importante na meteorologia e na ciência em geral, a observação. Sabemos que o El Niño está relacionado com um aquecimento do Oceano Pacífico na zona equatorial, e o La Niña com um arrefecimento.

Uma das primeiras referências escritas a possíveis efeitos relacionados com o El Niño no Peru encontra-se em uma carta de 1891, que descreve como os desertos se tornaram mais verdes e como foram encontradas espécies de peixes nunca antes vistas.

Foram os pescadores peruanos que notaram que, nalguns anos, as águas do Pacífico estavam mais quentes ao longo da costa peruana. Normalmente, ao largo da costa deste país sul-americano, as águas tendem a ser frias e ricas em nutrientes devido à Corrente de Humboldt.

Pescadores
Pescadores peruanos repararam que, em certos anos, as águas do Pacífico estavam mais quentes ao largo da costa do Peru.

O Natal está na origem do nome

Este aquecimento das águas ocorreu no final de dezembro, por altura do Natal. No catolicismo, o Natal é marcado pelo nascimento do "Menino Jesus" (El niño Jesús em espanhol) e é em referência a este acontecimento que o fenómeno El Niño foi batizado no século XIX.

As águas frias do Pacífico peruano tornam-se até 12°C mais quentes do que o normal à superfície quando o El Niño está presente.

E La Niña?

Com o avanço da observação meteorológica, especialmente com o aparecimento dos satélites, tornou-se claro que há outros anos em que as águas naquela região são mais frias do que o normal e a contraparte do El Niño tinha de ser chamada de outra coisa, daí o aparecimento do La Niña.

Meio século de investigação

Este fenômeno começou a ser estudado na década de 1970, quando se percebeu que o impacto do El Niño não era apenas no Peru, daí o registo dos anos em que ocorreu.

Segundo informações do Ministério do Meio Ambiente do Peru, foram registados pelo menos 120 episódios de El Niño nos últimos 500 anos, sendo os mais intensos os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.

O que é que provoca estas oscilações na temperatura dos oceanos?

Os cientistas ainda não descobriram exatamente o que dá início a estes ciclos de arrefecimento e aquecimento no Oceano Pacífico equatorial, embora se saiba que estas mudanças de temperatura estão associadas a alterações na pressão atmosférica, que por sua vez alteram a direção e a velocidade do vento nesta região do Pacífico.

Relativamente às alterações climáticas, há muita incerteza sobre a forma como o El Niño e o La Niña poderão mudar à medida que o planeta continua a aquecer. Alguns estudos indicam que os episódios muito intensos vão se tornar mais frequentes.

barragens
O armazenamento de água em barragens destina-se a garantir o recurso para fazer face a anos de escassez de água.

Aprender a viver com o El Niño/La Niña

Os investigadores defendem que este fenômeno não deve ser visto como algo negativo, mas sim que devemos tirar partido dele, por exemplo, armazenando água em barragens para fazer face a anos de escassez. Enquanto sociedade, devemos nos preparar para os seus efeitos e estar informados, mas sempre a partir de fontes fiáveis para não cairmos no alarmismo.