Corrente do Atlântico Norte pode perder intensidade no próximo século

Cientistas suspeitam que o degelo da Gronelândia e as chuvas excessivas possam interferir na corrente oceânica do Atlântico Norte. Este fenómeno pode trazer mais alterações a nível climático e afetar a Europa. Saiba mais aqui.

Joana Campos Joana Campos Tiago Robles 21 Jan. 2020 - 18:01 UTC
Corrente Norte-Atlântica
A corrente do Atlântico Norte é direcionada pela circulação termohalina global e contribui para o aquecimento do clima local.

A Corrente do Atlântico Norte transporta água quente do Golfo do México para a Europa, proporcionando um clima relativamente ameno na maior parte do noroeste europeu. Simulações de cientistas da Universidade de Groningen e da Universidade de Utrecht, situadas na Holanda, mostraram que é pouco provável que a corrente pare completamente, devido a pequenas e rápidas mudanças na precipitação sobre o Atlântico Norte. No entanto, há uma probabilidade de 15% de que haja uma alteração temporária na corrente nos próximos 100 anos.

"Os oceanos armazenam uma enorme quantidade de energia e as correntes oceânicas têm um forte efeito no clima da Terra", diz Fred Wubs, professor associado de Matemática da Universidade de Groningen.

O que revelam os modelos?

Os oceanógrafos descobriram que as correntes do Oceano Atlântico são sensíveis à quantidade de água doce na superfície. Como o escoamento do degelo da Gronelândia aumentou devido às mudanças climáticas, assim como as chuvas sobre o oceano, acredita-se que isso pode desacelerar ou até reverter a corrente do Atlântico Norte, bloqueando o transporte de calor para a Europa. “Modelos de alta resolução e modelos simplificados foram utilizados”, explica Wubs.

Colapso total

A ideia era usar estes modelos para calcular a probabilidade da deposição de água doce poder causar um abrandamento temporário, ou um colapso total da corrente do Atlântico Norte. A corrente não tem um comportamento linear, o que significa que pequenas alterações podem ter grandes efeitos. "Como as transições que procuramos são eventos raros, são necessárias várias simulações para determinar a hipótese de elas acontecerem", diz Wubs. No entanto, um cientista francês desenvolveu um método para selecionar as simulações mais pertinentes, reduzindo o número de simulações necessárias.

Sven Baars, estudante de doutoramento, implementou esse método com eficiência e vinculou-o ao modelo de Utrecht. Daniele Castellana, aluna de doutoramento de Dijkstra, realizou as simulações. "Estas simulações mostraram que as hipóteses de um colapso total da corrente do Atlântico Norte, nos próximos mil anos, são quase nulas", diz Wubs.

Interrupção

Uma interrupção temporária no fornecimento de água quente ao noroeste da Europa é mais provável: “Nas nossas simulações, as hipóteses de isso acontecer nos próximos 100 anos são de 15%”. Esta interrupção pode causar períodos de frio no Atlântico Norte. Portanto, o estudo atual é apenas um primeiro passo na determinação do risco.

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