Ondas de calor foram responsáveis por quase 900 mortes na Inglaterra

Dados oficiais revelam o impacto do excesso de calor na saúde, principalmente nos idosos. No entanto, o número de mortes foi menos da metade das que ocorreram durante as ondas de calor em 2003 e 2006.

Catherine Early Catherine Early Tiago Robles 20 Jan. 2020 - 18:57 UTC
Ondas de calor, heatwaves
Ondas de calor podem afetar a saúde de pessoas vulneráveis.

As ondas de calor do verão passado causaram 892 mortes extras, principalmente de idosos, de acordo com análise estatística publicada pela Public Health England.

O monitoramento da mortalidade por ondas de calor do corpo de saúde constatou que 572 pessoas com mais de 65 anos morreram durante a onda de calor de 21 de julho a 28 de julho de 2019 em comparação com o número esperado para essa época do ano. Outro período de altas temperaturas entre 23 e 29 de agosto teve uma estimativa de 320 mortes extras. No entanto, durante uma onda de calor anterior, de 28 a 30 de junho, nenhum excesso de mortes foi registrado.

Altas temperaturas afetam particularmente os idosos, pois seus corpos são menos capazes de se adaptar ao calor, o que leva a problemas cardíacos e respiratórios.

As pessoas no nordeste e leste de Midlands foram as mais afetadas pela primeira onda de calor de julho, enquanto as do noroeste sofreram mais na segunda onda de calor daquele mês. Embora a maioria das mortes tenha ocorrido entre os idosos, a segunda onda de calor em julho matou 41 pessoas com menos de 64 anos em Londres.

Estratégia para ondas de calor

As mortes em 2019 foram maiores do que aquelas durante as ondas de calor em 2018 (863 mortes) e 2017 (778 mortes). No entanto, a mortalidade caiu significativamente em comparação com as ondas de calor em 2006, quando foram registradas 2323 mortes e em 2003, quando houveram 2234 registros entre 4 e 13 de agosto.

Após o alto número de mortes nesses anos, o Reino Unido estabeleceu um plano de ondas de calor. Isso inclui comunicar ao público os riscos de altas temperaturas na saúde, colaboração entre agências de saúde e treinamento para profissionais de saúde.

Emer O’Connell, chefe de eventos extremos e proteção da saúde da Public Health England disse: “Nos anos seguintes à introdução do plano, o impacto dos dias de ondas de calor no número de mortes foi consideravelmente menor do que o esperado."

“Mais recentemente, apesar de vários períodos de temperaturas excepcionalmente altas nos verões de 2018 e 2019 e de um aumento no número de pessoas vulneráveis devido ao envelhecimento da população, o número de mortes em excesso observadas durante essas ondas de calor foi menor do que ocorreu durante o verão de 2003 ”, acrescentou.

Um comitê de parlamentares alertou que o Reino Unido está "lamentavelmente despreparado" para o aumento do número e da intensidade das ondas de calor como resultado das mudanças climáticas. O relatório de 2018 do Comitê de Auditoria Ambiental alertou que as mortes por ondas de calor poderiam chegar a 7.000 até 2040, enquanto os invernos mais amenos só reduzirão as mortes por frio em 1.000.

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