Cometa passa pelo céu do Brasil neste sábado, 18 de abril; saiba como observar
O C/2025 R3 (PanSTARRS), vindo do Cinturão de Kuiper, poderá ser observado no céu do Brasil a partir de sábado (18).

O cometa C/2025 R3 (PanSTARRS) será observável no céu no Brasil a partir do dia 18 de abril, quando irá atingir o ponto mais próximo do Sol. Ele possui brilho moderado e sia observação dependerá do céu limpo e baixa poluição luminosa. Após o dia 18, o cometa ainda poderá ser visto nas madrugadas dos dias 19 e 20 de abril, embora com pequenas variações de posição e altitude no horizonte. Sua trajetória aparente será relativamente rápida e observadores no hemisfério Sul terão vantagem na observação neste período.
Cometas são pequenos corpos do Sistema Solar compostos majoritariamente por gelo, poeira e materiais voláteis. Por causa disso, quando esses objetos se aproximam do Sol, parte do material acaba sublimado criando caudas. O C/2025 R3 (PanSTARRS) tem origem provável no Cinturão de Kuiper que é uma região fria localizada além da órbita de Netuno. Diferentemente de objetos interestelares como o 3I/ATLAS, este cometa é gravitacionalmente ligado ao Sistema Solar. Ainda assim, sua composição química pode preservar características primordiais, remontando às fases iniciais de formação planetária.
Os melhores horários para observar o C/2025 R3 (PanSTARRS) serão nas horas que antecedem o nascer do Sol, quando o céu ainda estiver escuro. A janela ideal ocorre no crepúsculo onde o objeto estará em uma baixa altura no horizonte. O uso de binóculos é recomendado para facilitar a identificação da coma. A observação a olho nu pode ser limitada mas não é impossível, isso dependerá das condições meteorológicas e de luminosidade da região.
Cometa C/2025 R3 (PanSTARRS)
O C/2025 R3 (PanSTARRS) é um visitante raro originado no Cinturão de Kuiper que é uma zona fria e remota do Sistema Solar composta por corpos de gelo e material primordial. A trajetória atual do cometa está puxando ele para o interior do Sistema Solar, permitindo o aquecimento de sua superfície e a liberação de gases e poeira. Esse processo forma a coma e a cauda características, impulsionadas pela radiação solar e pelo vento solar.
O brilho do cometa é descrito pela escala de magnitude aparente, na qual valores menores indicam maior luminosidade. Estimativas indicam que ele pode atingir magnitude 2,5, o que o colocaria próximo do limite de visibilidade a olho nu em condições ideais. Além disso, sua visibilidade pode ser amplificada por um fenômeno chamado de dispersão frontal. Nesse caso, partículas de poeira na cauda refletem a luz solar diretamente em direção à Terra, aumentando o brilho observado.
Como observar?
Os melhores dias para observar o C/2025 R3 (PanSTARRS) no Brasil serão 18, 19 e 20 de abril, quando o objeto estará próximo do periélio. Nesses dias, a observação poderá ser realizada cerca de uma hora antes do nascer do Sol. Para conseguir observar bem o cometa, é necessário o uso de binóculos ou telescópios caseiros. Além disso, regiões com pouca poluição luminosa podem ser úteis para observar o cometa. Condições atmosféricas também são determinantes para as condições de observação.
Entre os dias 21 e 26 de abril, o cometa estará angularmente muito próximo do Sol, tornando sua observação difícil devido ao ofuscamento. Após atingir sua menor distância da Terra em 27 de abril, cerca de 73 milhões de quilômetros, e então o objeto volta a se afastar e passa a ser visível no período após o pôr do sol. Essa mudança desloca a janela de observação para o início da noite, facilitando a detecção para quem não puder observar nas madrugadas anteriores.
De onde vem esses cometas?
O C/2025 R3 (PanSTARRS) tem origem provável no Cinturão de Kuiper que está localizada além da órbita de Netuno. Essa região abriga remanescentes do disco protoplanetário que não foram incorporados aos planetas durante a formação do Sistema Solar. Perturbações gravitacionais, principalmente associadas a Netuno, podem alterar a órbita desses objetos e lançá-los em trajetórias para as regiões internas. Durante essa viagem, o aquecimento progressivo induz a sublimação de voláteis, formando a cauda.

O Cinturão de Kuiper é considerado uma reserva de material primordial, preservado em condições de baixa temperatura e mínima alteração química desde os estágios iniciais do Sistema Solar. Formado há cerca de 4,6 bilhões de anos, ele contém objetos compostos por gelo de água, metano, amônia e silicatos. A composição desses corpos reflete as condições do disco protoplanetário original. Ao serem deslocados para o interior do Sistema Solar, cometas como o C/2025 R3 (PanSTARRS) permitem estudar resquícios do início do Sistema Solar.
Classificação e nome
A designação do nome C/2025 R3 (PanSTARRS) segue o padrão estabelecido pela União Astronômica Internacional para identificação de cometas. O prefixo “C” indica que se trata de um cometa não periódico, com período orbital superior a 200 anos ou trajetória aberta. Isso significa que é a possibilidade é alta que ele não retorne ao interior do Sistema Solar. “2025” corresponde ao ano de descoberta, a letra “R” identifica a quinzena da descoberta e o número “3” indica que foi o terceiro cometa registrado nesse intervalo específico.
Em comparação, a nomenclatura do 3I/ATLAS segue uma convenção distinta aplicada a corpos de origem interestelar. O prefixo “I” indica explicitamente que o objeto não está gravitacionalmente ligado ao Sistema Solar. O termo “ATLAS” refere-se ao sistema de telescópios responsável pela descoberta. Assim, enquanto “C/2025 R3” tem informações orbitais e temporais no nome, “3I/ATLAS” tem informação sobre sua origem e a ordem de objetos descobertos desse tipo.
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