Agenda astronômica de fevereiro: quais serão os fenômenos imperdíveis do mês?

Fevereiro reserva uma chuva de meteoros, um eclipse visível em algumas regiões e a expectativa pelo retorno de astronautas à Lua após décadas.

Fevereiro de 2026 promete um céu com muita atividade, com chuva de meteoros, eclipse solar, conjunções planetárias e o início de uma nova fase da exploração humana do espaço. Crédito: NASA
Fevereiro de 2026 promete um céu com muita atividade, com chuva de meteoros, eclipse solar, conjunções planetárias e o início de uma nova fase da exploração humana do espaço. Crédito: NASA

Fevereiro de 2026 começa com um céu bastante ativo para os observadores que estão no Hemisfério Sul. O mês traz a chuva de meteoros Alfa Centaurídeos, conhecida por ter meteoros rápidos e brilhantes, além de conjunções e alinhamentos envolvendo a Lua e planetas visíveis que podem ser observados a olho nu. Os eventos que acontecerão neste mês serão interessantes para quem gosta de fazer observações do céu.

Outro destaque do mês será um eclipse solar anular que poderá ser visível em regiões do Hemisfério Sul. Nesse tipo de eclipse, a Lua passa em frente ao Sol sem cobri-lo completamente, formando um anel luminoso ao redor do disco lunar. O fenômeno ocorre quando a Lua está próxima do ponto mais distante da Terra e, com isso, não consegue cobrir o céu por completo.

Porém, o que mais chama atenção no mês de fevereiro é o retorno da humanidade até às vizinhanças da Lua. Esse será um momento histórico para a exploração espacial que se prepara para o ano que vem retornar ao solo lunar com missões científicas e de exploração. A missão Artemis II deverá levar astronautas a uma trajetória ao redor da Lua após mais de cinco décadas desde o fim do programa Apollo.

Eclipse anular

Um eclipse solar anular ocorrerá no dia 17 de fevereiro deste mês que acontece quando a Lua passa em frente ao Sol sem encobri-lo completamente. Esse fenômeno acontece porque a Lua se encontra mais distante da Terra, apresentando um diâmetro aparente menor que o do Sol. Normalmente, a Lua e o Sol possuem tamanhos parecidos quando vistos da Terra e, por causa disso, alguns eclipses são totais.

Como resultado, apenas a região central do disco solar é ocultada, enquanto as bordas permanecem visíveis, formando o chamado “anel de fogo”.

A fase anular completa será observável apenas em regiões com latitudes mais altas no Hemisfério Sul, como a Antártida e áreas do sul do Oceano Índico. Em algumas outras regiões será possível observar um eclipse parcial como, por exemplo, no Chile, Argentina e Uruguai. Infelizmente, o eclipse não poderá ser observado no Brasil dessa vez e será possível observá-lo através de transmissões ao vivo.

Chuva de meteoros

A chuva de meteoros Alfa Centaurídeos é um evento que ocorre anualmente e possui uma atividade baixa em comparação com outras chuvas. Essa chuva sempre ocorre entre o fim de janeiro e meados de fevereiro, este ano terá o pico por volta de 8 de fevereiro. Assim como outras chuvas, ela é causada pela entrada de pequenos fragmentos de poeira que atingem a atmosfera em alta velocidade e produzem rastros luminosos visíveis no céu.

Em condições ideais, essa chuva pode chegar a alguns meteoros por hora. A origem dela está associada a detritos deixados por um cometa de longo período, embora o cometa específico ainda não tenha sido identificado. A chuva parece vir da direção da constelação de Centauro e sua observação é mais favorável no Hemisfério Sul, incluindo regiões da América do Sul, África e Oceania. O melhor horário para observar esse fenômeno é após a meia-noite.

Artemis II

A missão Artemis II marca o retorno de astronautas à região em torno da Lua após mais de 50 anos e será o primeiro voo tripulado do programa Artemis. Planejada para acontecer no final da primeira semana de fevereiro, com data prevista para 9 de fevereiro de 2026, a missão levará quatro astronautas a bordo da nave Orion, impulsionada pelo foguete SLS. Diferente da Artemis I, essa missão tem como principal objetivo testar, com humanos a bordo, os sistemas de navegação, comunicação, suporte à vida e reentrada na atmosfera.

O foguete da missão Artemis II já está no complexo de lançamento desde o final de janeiro, marcando a reta final de preparativos para o retorno de astronautas às vizinhanças da Lua. Crédito: NASA
O foguete da missão Artemis II já está no complexo de lançamento desde o final de janeiro, marcando a reta final de preparativos para o retorno de astronautas às vizinhanças da Lua. Crédito: NASA

Durante a missão, a tripulação fará um sobrevoo lunar, alcançando milhares de quilômetros além da face oculta da Lua antes de retornar à Terra. Embora não haja pouso, a Artemis II será importante para validar a segurança das operações que permitirão a volta dos humanos na superfície lunar, estimada para 2027. O projeto Artemis prepara o caminho para uma presença humana constante na Lua e, futuramente, para missões rumo a Marte.

Outros eventos

Além desses eventos que acontecerão em fevereiro, outros eventos menores também irão iluminar o céu. No dia 18 de fevereiro, acontecerá uma conjunção entre a Lua e o planeta Mercúrio. Como acontecerá perto da Lua Nova, a observação será bem visível já que a iluminação da Lua será apenas uma região pequena iluminada. Vênus e Saturno também estarão próximos nesse dia sendo possível acompanhar as conjunções.

Já no final de fevereiro, o céu noturno será palco de um alinhamento planetário, com até seis planetas visíveis ao longo das noites, entre o final de fevereiro e o início de março. Logo após o pôr do sol, Vênus, Mercúrio e Saturno poderão ser vistos juntos no horizonte oeste, enquanto Júpiter estará mais alto a leste. Urano aparecerá próximo às Plêiades, e Netuno ficará nas proximidades de Saturno.