Temporais com granizo e ventos acima de 85 km/h causam destruição em cidades do RS

Em apenas cinco minutos de tempestade, o município de Santo Antônio das Missões viu centenas de casas serem destruídas e a população lotar os comércios locais em busca de materiais para reconstrução.

Casas foram destelhadas no temporal da última segunda-feira em Santo Antônio das Missões. Foto: Reprodução
Casas foram destelhadas no temporal da última segunda-feira em Santo Antônio das Missões. Foto: Reprodução

Uma sequência de temporais acompanhados de granizo e rajadas de vento acima de 85 km/h provocou graves estragos em diversas regiões do Rio Grande do Sul entre segunda-feira (27) e terça-feira (28). Mais de mil residências foram destelhadas, além de quedas de árvores, destruição de estruturas e interrupção no fornecimento de energia elétrica em dezenas de milhares de imóveis.

As cidades mais afetadas se concentram no Noroeste, Norte e Litoral Norte do Estado, com municípios registrando até 70% das casas atingidas pelas pedras de gelo. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e do Exército foram mobilizadas para distribuir lonas plásticas e prestar atendimento emergencial às famílias prejudicadas pelos vendavais.

Cidades mais atingidas concentram destruição em telhados e estruturas

Em Santo Antônio das Missões, um vendaval de 80,5 km/h com queda de granizo danificou cerca de 500 residências e afetou aproximadamente 1.600 pessoas. A busca por materiais de construção gerou filas no comércio local, enquanto tropas do Exército e bombeiros de São Luiz Gonzaga auxiliavam na distribuição de lonas para proteger as moradias.

Pedras de granizo em Santo Antônio das Missões. Foto: Foto: Divulgação/ Fabrício Cabral/ Prefeitura de Santo Antônio das Missões
Pedras de granizo em Santo Antônio das Missões. Foto: Foto: Divulgação/ Fabrício Cabral/ Prefeitura de Santo Antônio das Missões

Na cidade de Ernestina, a chuva de gelo atingiu cerca de 350 casas, o que representa 70% de todas as habitações do município. O temporal deixou ao menos uma pessoa desalojada, mobilizando a Defesa Civil municipal no atendimento emergencial dos moradores atingidos.

No Litoral Norte, a força do vento em Osório derrubou parte da estrutura de uma concessionária de veículos sobre automóveis estacionados no local. A prefeitura da cidade contabilizou 200 destelhamentos, a queda de 12 árvores e o tombamento de 40 postes de energia elétrica, deixando 1.280 clientes sem luz e resultando em um morador ferido após queda de um telhado.

Ventos intensos causam prejuízos no interior do Estado

Outras localidades gaúchas também reportaram prejuízos severos decorrentes das rajadas de vento, como as que atingiram 87,8 km/h em Ibirubá. Na divisa entre Ibirubá e Cruz Alta, um vendaval de menos de um minuto destruiu completamente um galpão agrícola, atingindo estoques de grãos, insumos e esmagando dois carros.

Em Caxias do Sul, uma árvore de grande porte caiu sobre uma residência e dividiu o imóvel ao meio. Na região Norte, o município de Não-Me-Toque registrou mais de 70 chamados após uma tempestade de 20 minutos provocar bloqueios de vias e queda de energia elétrica. A intensidade dos estragos na região levantou a hipótese de que o local possa ter sofrido uma microexplosão atmosférica, fenômeno caracterizado por intensas correntes descendentes de ar.

A interrupção na rede elétrica alcançou aproximadamente 62 mil pontos em todo o Rio Grande do Sul na manhã de terça-feira, sendo a maioria na área da concessionária RGE e o restante na CEEE Equatorial. Registros de inundações pontuais e alagamentos também foram confirmados nas cidades de Cachoeira do Sul e Dom Pedrito.

Ações de emergência e posicionamento das autoridades

Diante dos estragos registrados em diversas regiões, a administração estadual afirmou em redes sociais que os próximos dias exigirão atenção redobrada e ressaltou que os 497 municípios gaúchos operam sob plano de contingência. O governo estadual destacou que as equipes regionais estão em alerta permanente para prestar socorro imediato às comunidades atingidas.

A coordenação da Defesa Civil no estado destacou o aumento na capacidade de resposta em relação aos anos anteriores. Segundo o representante do setor: “Hoje, temos uma Defesa Civil, pelo menos, quatro vezes maior do que a Defesa Civil que passamos pelos grandes eventos em 2024. Temos uma política de estadual de proteção e defesa civil que nós não tínhamos”.

Referência da notícia

Kassiane Michel, Raí Quadros, g1 RS. (2026). Chuva com granizo e vento de mais de 85 km/h destelha mil casas, derruba árvores e postes no RS.
UOL. (2026). Chuva de granizo destrói telhados de mais de 400 casas no interior do RS.