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Tempo seco e qualidade do ar: como estão associados?

Nos meses mais frios do ano é comum observarmos o horizonte cinza por vários dias nas grandes cidades do Brasil. Essa camada de poluição é fruto da combinação da intensa queima de combustíveis fósseis e das condições meteorológicas.

Paola Bueno Paola Bueno 31 Maio 2018 - 11:31 UTC
Algumas condições atmosféricas de inverno favorecem a concentração de poluentes próximo a superfície.

As condições meteorológicas são fatores decisivos na determinação da qualidade do ar, os processos atmosféricos controlam ou influenciam a dispersão de poluentes que são emitidos na atmosfera. Durante os meses mais frios do ano, principalmente nos grandes centros urbanos, podemos notar essa associação. Por diversos dias presenciamos um céu azul sobre nossas cabeças contrastando com um horizonte cinza a nossa frente. Por que isso ocorre?

O que determina a dispersão ou não dos poluentes é a estabilidade atmosférica. A estabilidade pode ser entendida como a resistência da atmosfera em movimentar-se. Quando a atmosfera está estável, os movimentos verticais são inibidos e isso dificulta a dispersão dos poluentes que são emitidos pelas atividades humanas próximas a superfície.

Normalmente a temperatura do ar tende a diminuir com a altura, assim o ar quente fica próximo a superfície. Porém, por ser mais leve, este ar quente ascende para as camadas superiores e, o ar frio, por ser mais pesado desce e é aquecido. Dessa forma, sempre se mantém um movimento vertical na atmosfera, misturando o ar das camadas. Entretanto, quando o ar frio permanece sobre superfície e o ar quente na camada superior, ou seja, quando temos uma inversão térmica, a atmosfera tende a ficar estável.

Muitas manhãs de inverno são marcadas por uma camada cinza no horizonte, principalmente em cidades como São Paulo.

A inversão térmica é um fenômeno meteorológico comum, que ocorre principalmente durante a noite, período em que a superfície perde calor pela perda radiativa e, portanto, o ar próximo a ela fica mais frio. Porém, ela tende a ser mais intensa e persistir por mais tempo durante o inverno.

No inverno, grande parte do Brasil fica sob a atuação de centros de alta pressão, que estão associados as condições de estabilidade atmosférica. Durante a atuação desses sistemas, há o predomínio de tempo seco e céu limpo, o que favorece ainda mais a perda radiativa da superfície durante a noite, intensificando o efeito de inversão térmica. Por isso, durante a manhã desses dias vemos a camada de poluição no horizonte, os poluentes emitidos ficam presos junto a camada de ar frio próximo a superfície.

Nas grandes capitais do Brasil, como São Paulo, a camada cinza de poluentes é vista a olho nu durante as manhãs desses dias de céu claro. E, mesmo com o aquecimento da superfície ao longo do dia, que reverte o efeito da inversão térmica, a concentração de poluentes continua muito alta. A intensa atividade industrial e dos meios de transportes emitem grandes quantidades de ozônio, monóxido de carbono, hidrocarbonetos e outras partículas inaláveis durante o resto do dia.

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