Por que os incêndios são tão comuns na Califórnia?

A história se repete: a Califórnia é novamente vítima de incêndios gigantescos. Por que o estado mais rico e populoso dos Estados Unidos é regularmente afetado por esses desastres?

Virginie Hilssone Virginie Hilssone Tiago Robles 05 Nov. 2019 - 17:32 UTC
A Califórnia luta contra incêndios monstruosos há vários dias.

Já são imagens que agora estão tristemente sendo comuns na televisão: incêndios tão impressionantes que devastam a Califórnia. Por vários dias, centenas de bombeiros lutaram contra uma dúzia de incêndios, casas enormes sendo atingidas ao redor de São Francisco e o incêndio histórico chamado "Fogo Kincade". As chamas já destruíram mais de 26.000 hectares, o equivalente a três vezes a cidade de Paris.

No mês passado, pelo menos 3.000 hectares foram queimados e duas pessoas morreram; em Novembro de 2018, um incêndio gigantesco também matou 89 pessoas e varreu a cidade de Paradise do mapa. Então, como você explica que o estado da Costa Oeste dos Estados Unidos está queimando com tanta regularidade?

Causas ambientais

Antes mesmo de olhar para as condições meteorológicas, vale lembrar que a Califórnia tem uma vegetação particularmente combustível. Florestas, áreas arborizadas ou vastas áreas de chaparral, semelhante ao cerrado brasileiro, que circundam os desfiladeiros do oeste dos Estados Unidos, sofrem com uma seca significativa e constituem um combustível ideal. De fato, essas plantas são compostas com cerca de 4% de umidade, enquanto se considera que uma madeira seca é de 11 a 14%.

E não é um bom ano de chuva que resolverá o problema. Os especialistas consideram que são necessários cinco anos sem seca para reparar as consequências de vários anos de aridez. Além disso, esse ecossistema é muito propício à combustão e é acentuado por condições climáticas difíceis: temperaturas particularmente altas e um vento frequentemente quente e forte.

Condições meteorológicas

Os ventos de Santa Ana, que atualmente estão violentamente intensos na região, são muito temidos. Eles sopram com frequência e secam a vegetação muito rapidamente, trazendo ar quente do interior do continente. Como resultado, as temperaturas, que já são particularmente altas, aumentam ainda mais com o este fluxo e, em alguns locais, excedem os 30 graus, fazendo com que o nível de umidade caia ainda mais. Além disso, esses fortes ventos oxigenam ainda mais as chamas que acabam se tornando incontroláveis.

É verdade que a mudança climática é mencionada regularmente como um fator agravante: 15 dos 20 maiores incêndios na história do estado ocorreram depois dos anos 2000. É um círculo vicioso: quando a vegetação queima, grandes quantidades de CO2 emergem na atmosfera e contribuem para o aquecimento do clima. De acordo com a Agência Nacional de Proteção Ambiental, o sul da Califórnia aqueceu três graus no último século.

Mas é preciso lembrar que 95% dos sinistros, neste último evento, foram causados pelo homem: em condições tão extremas, a menor centelha pode ter consequências dramáticas.

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