Pane global ou eclipse? Veja a resposta da ciência para o fenômeno previsto para esta terça-feira,17
Enquanto muitos esperam escuridão total ou falhas elétricas nesta terça, a realidade apresenta apenas a Lua passando diante do Sol em um eclipse anular visível somente para quem está no extremo sul.

Enquanto rumores sugerem um colapso total no fornecimento de energia e um súbito escurecimento do dia na próxima terça-feira, 17 de fevereiro, a realidade é bem menos assustadora e muito mais interessante. Não existe apagão global programado, nem risco de pane nos sistemas elétricos ou de comunicação. O que de fato está previsto é um fenômeno natural que nada tem a ver com catástrofes.
Essa confusão surgiu da distorção de um eclipse solar anular. A narrativa do medo pegou a data desse evento e criou uma teoria infundada sobre um blecaute mundial. É importante esclarecer que a rotina das cidades, o funcionamento da internet e a distribuição de luz seguirão operando normalmente. A única mudança ocorrerá no céu, e ainda assim, será imperceptível para a grande maioria da população mundial.
Entendendo o anel de fogo
Para compreender o que vai acontecer, basta imaginar a posição dos astros. Um eclipse anular acontece quando a Lua passa exatamente na frente do Sol. Porém, desta vez, nosso satélite natural estará em seu apogeu, ou seja, no ponto de sua órbita em que fica mais distante da Terra.

Por estar mais longe, a Lua parecerá menor do que o Sol para quem observa daqui de baixo. Consequentemente, ela não consegue cobrir a estrela totalmente, deixando as bordas do Sol visíveis. Esse efeito cria uma borda luminosa ao redor da sombra lunar, apelidada carinhosamente de anel de fogo.
Diferente de um eclipse total, onde o dia vira noite, neste caso a luminosidade diminui apenas parcialmente, sem causar breu total. Portanto, a ideia de que o mundo ficará no escuro é fisicamente impossível neste cenário.
Um espetáculo para poucos
Outro detalhe que desmonta a teoria de um problema mundial é a localização do evento. A sombra projetada pela Lua tem um trajeto muito específico e restrito. A chamada "faixa de anularidade", onde o desenho do anel de fogo fica perfeito, passará quase que exclusivamente sobre o continente gelado da Antártida. É um show da natureza reservado para pinguins e alguns cientistas isolados nas bases polares.
Para quem está na América do Sul, a visibilidade será mínima ou nula. Apenas observadores situados no extremo sul da Argentina e do Chile poderão notar uma pequena "mordida" no disco solar, cobrindo entre menos de 1% e 3% da luz. Já no Brasil, o Observatório Nacional é categórico: o fenômeno não será visível. O céu brasileiro permanecerá com sua claridade habitual de verão, sem qualquer alteração.
Embora o dia 17 de fevereiro não traga o espetáculo astronômico para os céus brasileiros, os apaixonados por eclipse não precisam desanimar. A natureza segue seu ritmo e novas oportunidades virão. Especialistas já calculam que o próximo anel de fogo ocorrerá em 6 de fevereiro de 2027 e promete ser visível em partes do território nacional.
Referências da notícia
Apagão global? A verdade sobre o fenômeno de 17 de fevereiro que assusta a web. 15 de fevereiro, 2026.