Outubro-novembro: o período pré-monção

Apesar de estarmos entrando no período pré-chuvoso na maior parte do Brasil, oscilações do sistema climático podem impactar na circulação atmosférica de grande escala, favorecendo ou não as primeiras chuvas da temporada, dependendo da configuração dos sistemas sobre a América do Sul.

Bruno César Capucin Bruno César Capucin 06 Out. 2019 - 14:01 UTC
Tempestades do período chuvoso retornam gradativamente durante a primavera.

O termo monção faz referência as regiões dos trópicos e subtrópicos que apresentam a estação seca e chuvosa bem definidas. A monção do sul da Ásia que aprendemos nas aulas de geografia por exemplo, é a mais forte (clássica) do mundo, uma vez que os ventos de baixos níveis lá apresentam direções opostas entre o verão e o inverno. No entanto, outras partes do globo como a América do Sul (AMS) também possuem o fenômeno, só que menos intenso.

Sistemas de monção são impulsionados pela grande diferença térmica entre o oceano e vastas terras. O aquecimento excessivo do continente no verão torna a pressão do ar muito baixa. Deste modo, a força do gradiente de pressão em grande escala faz o vento soprar úmido do oceano (alta pressão) para o continente quente (baixa pressão), favorecendo às trovoadas do período chuvoso.

A monção da AMS inclui mudanças significativas no padrão de ventos em níveis superiores. Segundo a climatologia, de outubro a meados de novembro, ocorre a fase de estruturação da monção sul americana. Nesta época do ano no Brasil, as tempestades se propagam aos poucos da Amazônia ocidental em direção as Regiões Centro-Oeste e Sudeste, sendo motivadas pelo predomínio de ventos úmidos de norte e o forte aquecimento diurno.

Os primeiros sinais da Alta da Bolívia surgem no sul da bacia Amazônica, e a entrada de frentes frias é reduzida gradativamente na medida em que a corrente de jato se enfraquece e migra para o sul. A fase madura da monção ocorre entre janeiro e fevereiro, cujo sistema de tempo mais marcante e esperado é a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). A ZCAS é um sistema estratégico até do ponto de vista de energia elétrica no país. Além disso, no auge da monção, a Alta da Bolívia está intensa e nas imediações do território boliviano, desenvolvendo a leste da sua circulação o cavado ou o Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN).

Complexidade de uma previsão climática

As características mencionadas acima são médias do comportamento atmosférico ao longo do clico de vida da monção da AMS. Contudo, períodos de supressão das chuvas podem acontecer em pleno verão por uma série de fatores complexos do sistema climático, como os padrões de teleconexão (ex: Oscilação Madden-Julian).

Neste mês de outubro, chega ao ápice o Dipolo do Oceano Índico (DOI). Este dipolo é a diferença da temperatura entre a parte ocidental e oriental do oceano. Como toda oscilação do sistema climático, o DOI possui sua fase neutra, negativa e positiva. A fase positiva do fenômeno apresenta águas quentes próximo da África, onde se localiza a região preferencial dos movimentos ascendentes da célula de Walker no Índico.

A Oscilação Madden-Julian por exemplo, pode ter sua fase inicial (no Índico) beneficiada com um DOI positivo, uma vez que as trovoadas próximas da África seriam reforçadas. Essas oscilações do sistema climático e suas interações perturbam a circulação de escala planetária, desenvolvendo padrões de teleconexão através das ondas de Rossby. Neste contexto, frequentemente se estabelecem padrões anômalos de temperatura e precipitação em várias partes do mundo.




Publicidade