Agosto escaldante: 2019 teve o verão mais quente no Hemisfério Norte

Um mês de Agosto escaldante fez com que o verão no Hemisfério Norte fosse o mais quente já registrado em 140 anos. As elevadas temperaturas de Agosto também afetaram a extensão de gelo no Ártico, eventos extremos e marcaram mesmo o inverno no Hemisfério Sul.

Carolina Barnez Carolina Barnez 19 Set. 2019 - 16:43 UTC
O verão no Hemisfério Norte foi o mais quente já registrado, atingindo a mesma média de 2016. Créditos: CNN/BERTRAND GUAY/AFP/Getty Images

No Hemisfério Norte, um Agosto escaldante fez com que o verão boreal (Junho, Julho e Agosto) fosse o mais quente já registrado, junto com 2016. As elevadas temperaturas de Agosto também afetaram a extensão de gelo no Ártico, outras localidades no Hemisfério Sul e eventos extremos ao redor do globo.

Na verdade, pensando em todo planeta, a temperatura média em Agosto foi 0,9ºC acima da média do século XX (15,6ºC), se juntando a 2015 e 2017 como o segundo Agosto mais quente em 140 anos de registro. Essas estatísticas foram publicadas no último relatório climático da Agência Oceânica e Atmosfércia dos EUA (NOAA) que possuem um registro de temperaturas desde 1880. O Agosto mais quente do século XX foi em 2016, e os 5 Agostos mais quentes registrados ocorreram nos últimos 6 anos.

A temperatura de superfície do mar em Agosto também bateu um recorde, sendo a maior média global registrada para o período. A média da temperatura de superfície do mar no século XX é de 16,4ºC e o último mês esteve 0,8ºC acima disso.

Não só o verão boreal

Para o período de Junho a Agosto, considerado o verão no Hemisfério Norte, as temperaturas se equipararam ao verão de 2016, considerado o mais quente dos registros. Mesmo sendo inverno no Hemisfério Sul, a média global do período foi 0,9ºC acima da média do século XX. As 5 maiores médias de temperaturas no período de Junho a Agosto ocorreram nos últimos 5 anos.

As temperaturas em Agosto bateram recorde em todo planeta. Créditos:NOAA - adaptado para o português por Meteored Brasil (tempo.com)

Ainda, considerando a temperatura média do planeta neste ano (Janeiro a Agosto), 2019 já é o terceiro ano mais quente, ficando atrás apenas de 2016 e 2017 - considerando as médias para o mesmo período, e não de 12 meses.

É só culpa do El-Niño?

Os registros de temperaturas mostram que anos com El-Niño tendem apresentam anomalias de temperatura maiores do anos neutros ou com La-Niña, como foi o caso de 2015 e 2016. Mas isso não é uma regra, uma vez que 2017, que também aparece com destaque no registro, foi um ano mais neutro.

A média global de temperatura está aumentando, e se mantém exclusivamente acima da média do século XX desde 1984. Os recordes observados em 2019, apesar de terem a influência do fenômeno El-Niño, fazem parte de uma tendência de aumento da temperatura global.

Anomalias relevantes em Agosto:

  • A extensão de gelo marinho no Ártico ficou 30,1% abaixo da média de 1981 a 2010 - a segunda menor extensão desde o início dos registros de satélite em 1979 (2012 teve a menos extensão).
  • Agosto se tornou o 3º Agosto mais quente do registro no continente europeu, junto com 2015. 2018 e 2003 foram os mais quentes.
  • A Ásia teve o Agosto mais quente dos registros. É a 23º vez consecutiva que o mês de Agosto tem temperatura acima da média na Ásia.
  • Dorian foi um furacão categoria 5, com ventos que chegaram a 295 km/h. Foi o furacão mais intenso a atingir as Bahamas.
  • A África teve o segundo Agosto mais quente registrado, perdendo só pra 2015.
  • Antártica teve a extensão de gelo marinho 1.8% abaixo da média de 1981 a 2019 - a 5º melhor em extensão em Agosto.
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