Onda de calor marinha ameaça costa Oeste dos EUA e Canada

Um onda de calor marinha avança pelo noroeste do Pacífico Norte e já é a terceira maior em extensão dos últimos 40 anos. Sua evolução se assemelha muito com a onda de calor de 2014/2016 que ficou conhecido como "a bolha assassina" por seu efeito devastador na vida marinha.

Carolina Barnez Carolina Barnez 12 Set. 2019 - 11:27 UTC
As ondas de calor marinhas estão muito ligadas a perda da biodiversidade no planeta. Créditos: Times

Uma nova onda de calor marinha avança no noroeste do Pacífico e já é considerada a terceira maior em extenção em 40 anos de registro. Para piorar a situação, as anomalias de temperatura do mar estão evoluindo de forma semelhante ao ocorrido na onda de calor marinha de 2014/2015, que impactou severamente a vida marinha da costa oeste dos Estados Unidos e Canada.

Há evidências de que as ondas de calor marinhas estão ficando mais frequentes e intensas. As permanência de anomalias positivas de temperatura de superfície do mar em uma região tráz graves consequências para a biota marinha, contribuindo com o branqueamento de corais, acidificação dos oceanos e desequilíbrios fisiológicos de diversos animais marinhos. Atualmente, ondas de calor marinhas estão muito ligadas a perda da biodiversidade no planeta, principalmente associada a danos aos ecossistemas formados por recifes de corais.

Entre 2014 e 2015, a costa leste dos Estados Unidos sofreu a maior onda de calor marinha já registrada, que ficou conhecida por "The Blob", em referência ao filme de terror "Bolha Assassina". Para quem não lembra, o filme retrata um monstro que consome tudo em seu caminho, o que se assemelha muito ao efeito devastador que o evento de onda de calor teve na vida marinha da região.

De acordo com as estimativas, a "Bolha" causou a perda de mais de 100 milhões de bacalhaus do Pacífico no Alasca, mais de meio milhão de aves marinhas foram dizimadas e a população de baleia jubarte da região caiu 30%. A população de salmão, leões marinhos, krill e outros animais marinhos também foram severamente reduzidas, principalmente devido a explosão de algas tóxicas - que se reproduzem mais rapidamente em altas temperaturas.

Agora, a evolução de uma anomalia quente nos últimos meses no Pacífico chama a atenção por sua semelhança ao evento de 2014/2015 nos estágios iniciais. A onda de calor "está à caminho de ser tão forte quanto o evento passado", diz Andrew Leising que desenvolveu o sistema de monitoramento de ondas de calor marinha da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). O sistema de rastreamento e medições das ondas de calor marinhas foi criado efetivamente após as perdas ecossistêmicas e econômicas causadas pelo evento de 2014/2015.

Segundo Leising, a onda de calor marinha ativa no momento já é um dos eventos mais significativos já visto, sendo o segundo maior já registrado desde 1981. Apesar da evolução ser semelhante ao evento de 5 anos atrás, ainda há chances das anomalias de temperatura não atingirem a região costeira. O padrão atmosférico e das correntes marinhas pode mudar de forma a resfriar a água, impedir seu avanço e até dissipá-la.

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