Nível do mar sobe mais de 50% e poluição ameaça biodiversidade, diz ONU

Mais de 550 cientistas de dezenas de nações uniram esforços para mapear a degradação ambiental dos mares, identificando graves contaminações por plásticos e resíduos de antibióticos.

Presença de lixo plástico nos mares explode e prejudica mais de quatro mil espécies animais, segundo dados atualizados da ONU. Foto: IA/ Adobe Stock
Presença de lixo plástico nos mares explode e prejudica mais de quatro mil espécies animais, segundo dados atualizados da ONU. Foto: IA/ Adobe Stock

A saúde dos mares globais está se deteriorando de forma alarmante, segundo a Terceira Avaliação Global dos Oceanos (WOA-3), divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O documento acende um alerta urgente sobre o impacto das ações humanas na estabilidade dos ecossistemas marinhos.

Diante do cenário, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo para que a sociedade mude sua postura. De acordo com a liderança, a humanidade não pode continuar tratando as zonas marinhas como se fossem recursos ilimitados.

Elevação acelerada do nível do mar ameaça a costa

O relatório, que reuniu dados coletados principalmente entre os anos de 2018 e 2023, aponta problemas severos. O avanço das águas acelerou mais de 50% em comparação com o levantamento anterior, publicado há quatro anos.

Anteriormente, a taxa de crescimento anual do nível do mar era de cerca de 3,2 mm. Agora, o monitoramento científico confirmou que esse índice subiu para 4,3 mm a cada ano.

Esse aumento expressivo decorre de novos recordes de degelo registrados nas regiões do Ártico e da Antártica. Essa dinâmica joga mais água nos oceanos e gera uma forte desregulação na interação com a atmosfera.

Como consequência, há uma mudança direta nas frentes frias e no regime de chuvas em países como o Brasil. A situação gera riscos severos para as cidades situadas na faixa litorânea.

Estudo com participação de cientistas do Brasil e de Portugal revela cenário preocupante sobre a saúde dos oceanos. Foto: Ilustração
Estudo com participação de cientistas do Brasil e de Portugal revela cenário preocupante sobre a saúde dos oceanos. Foto: Ilustração

Em entrevista à ONU News, o professor brasileiro Ronaldo Christofoletti, um dos 25 autores do estudo, explicou o impacto. O especialista demonstrou grande preocupação com as populações que habitam as áreas costeiras.

"O aumento do nível do mar, a taxa com que ele cresce por ano aumentou mais de 50% desde o último relatório, há quatro anos. Ela era em torno de 3,2 mm por ano. Agora está confirmado em 4,3 mm por ano. É o quanto esse mar atingir, ele vai atingir onde? ele vai ter o seu impacto onde? Principalmente nas zonas costeiras. Então se a gente olha a nossa costa, todas as nossas cidades costeiras. Quantas capitais nós não temos nestes 17 Estados costeiros com grande quantidade de população? E ela vai ser impactada".

Poluição por antibióticos e explosão de resíduos plásticos

Outro ponto crítico abordado na pesquisa envolve os chamados poluentes emergentes, que superam os perigos do lixo visível. Os cientistas identificaram um crescimento expressivo na concentração de medicamentos nas águas.

A pesquisadora portuguesa Maria João Bebianno, que também integra o comitê de autores, detalhou essa contaminação. A cientista alertou para o surgimento de microorganismos perigosos no ambiente marinho.

"Estamos a assistir a um aumento da concentração de antibióticos no oceano. Isto faz com que surjam espécies de bactérias e genes resistentes no mar, gerando uma situação muito semelhante à que enfrentamos hoje com as superinfecções nos hospitais. É alarmante. Precisamos de recuperar a saúde do oceano para, assim, recuperarmos a saúde humana".

Além disso, o avanço do plástico continua a sufocar a biodiversidade de maneira acelerada. O relatório anterior contabilizava 1,4 mil espécies afetadas por esses detritos, número que saltou para 4.076 espécies no estudo atual.

Paralelamente, os oceanos sofrem com a perda de oxigênio e com o processo contínuo de acidificação. Esses fenômenos invisíveis comprometem diretamente a sobrevivência das espécies marinhas e terrestres.

No total, o documento contou com a colaboração de mais de 550 cientistas de 86 países diferentes. A iniciativa reforça a necessidade de união global para proteger o equilíbrio climático e econômico do planeta.

Referências da notícia

Relatório da ONU revela que oceanos estão mais elevados, aquecidos e poluídos. 8 de junho, 2026.

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