Imagens de drone mostram encontro de águas no mar de Santos, em SP

As condições oceanográficas da Baixada Santista e a presença de matéria orgânica no estuário favorecem a formação de barreiras visíveis no oceano, gerando um espetáculo natural registrado na Ponta da Praia.

Drone registrou divisão na cor do mar em Santos, SP — Foto: Imagens cedidas por @aquituvedecima
Drone registrou divisão na cor do mar em Santos, SP — Foto: Imagens cedidas por @aquituvedecima

Um drone registrou uma nítida linha de separação entre duas tonalidades de água no mar de Santos, no litoral de São Paulo. A gravação foi feita nas proximidades do Canal 6, por volta das 16h49 de segunda-feira (3), pelo piloto Anderson Coelho. As imagens mostram a água escura perto da praia enquanto o mar aberto permanece cristalino.

Esse contraste visual ocorre no momento exato em que a água que sai do estuário entra em contato direto com a água do mar aberto. A Prefeitura de Santos explicou que as diferenças de densidade, a alta concentração de matéria orgânica e as correntes marinhas locais criam essa barreira bem definida na superfície da baía.

Fatores físicos e ambientais da região

A água proveniente do estuário costuma ser menos densa, menos salgada e carrega um volume elevado de sedimentos e matéria orgânica. Por outro lado, a água da Baía de Santos apresenta características opostas, sendo mais transparente, densa e com maior salinidade. Consequentemente, essas duas massas de água com propriedades físicas tão distintas não se misturam imediatamente ao se encontrarem na orla marítima.

O contraste no mar de Santos reflete a complexa hidrodinâmica entre o estuário e a baía com diferentes níveis de densidade. Foto: Ilustração
O contraste no mar de Santos reflete a complexa hidrodinâmica entre o estuário e a baía com diferentes níveis de densidade. Foto: Ilustração

Ademais, aspectos históricos e geológicos explicam com clareza as tonalidades escuras marcantes no litoral santista. Historicamente, toda a extensão da praia da cidade era conhecida como Embaré, termo derivado do tupi-guarani Mbaràa-Hé, que significa "águas que curam". A composição do solo local e o clima úmido característico influenciam diretamente a cor da areia e das águas costeiras.

Dinâmica e renovação hídrica no estuário

A circulação hidrodinâmica do Sistema Estuarino de Santos passa por constante movimento impulsionado pelas marés e pelas vazões fluviais. Modelagens computacionais realizadas com o sistema SisBaHiA indicam que o estuário apresenta uma alta capacidade de circulação e dispersão de efluentes. Após um período contínuo de 30 dias, todo o sistema atinge uma taxa de renovação total superior a 95%.

No entanto, existem variações sazonais importantes em pontos específicos da região estuarina. Áreas mais internas, a exemplo do Canal de Piaçaguera, registram diferenças marcantes no ritmo de troca de água entre os períodos de verão e de inverno. Além disso, dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) indicam que o estuário enfrenta desafios em relação ao oxigênio dissolvido e à carga orgânica.

O piloto Anderson Coelho destacou o forte impacto visual da mancha durante o sobrevoo na orla da cidade. "Estava sobrevoando pela Ponta da Praia e verifiquei a mancha que se estendia por toda a orla. Vi a diferença de tonalidade e comecei a gravar", relatou o profissional ao descrever o registro do espetáculo marítimo em Santos.

Referência da notícia

Gyovanna Soares. (2026). Mar de Santos: drone filma divisão de águas como na Amazônia.
Fernando Roversi, Paulo Cesar Colonna Rosman e Joseph Harari. (2016). Análise da renovação das águas do Sistema Estuarino de Santos usando modelagem computacional.