Furacão na costa brasileira?

Uma possível ameaça de ciclone tropical na costa do Brasil se tornou do conhecimento de muitos nos últimos dias. Por que se formou a depressão tropical e quais os impactos que o sistema pode trazer ao continente?

Bruno César Capucin Bruno César Capucin 24 Mar. 2019 - 07:23 UTC
Depressão tropical da manhã de domingo (24). A evolução desse sistema ainda diverge entre os modelos.

Desde a semana passada, os meteorologistas passaram a olhar com cautela a região do oceano Atlântico na altura do estado da Bahia. Isso porque, os modelos de previsão do tempo estavam insistindo numa ciclogênese (formação de ciclone) com características tropicais.

Embora os ciclones tropicais sejam comuns no trópico, o ambiente atmosférico no Atlântico próximo ao Brasil esteve até então favorável a formação do sistema. No entanto, qual foi o fator inicial que resultou na depressão tropical classificada no sábado pela Marinha do Brasil?

Entre a sexta-feira e ontem, um cavado (área alongada de baixa pressão) presente no oceano e associado a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), tinha ventos de sudeste ao sul de sua posição e de noroeste ao norte. Com os fluxos soprando em direções opostas ao longo do cavado, criou-se o que os meteorologistas chamam por vorticidade, basicamente a rotação do vento, como no esquema do Twitter abaixo publicado no último dia 21.

Apesar do giro ciclônico presente no cavado da ZCAS ter sido o fator inicial, elementos secundários foram fundamentais no desenvolvimento da depressão tropical, a saber, as águas quentes (aproximadamente 29°C) próximas a costa brasileira, vento variando pouco com a altura (fraco cisalhamento vertical) e uma camada úmida e instável na atmosfera.

A interação entre os ingredientes mencionados acima, resultaram nas fortes trovoadas associadas a depressão tropical. De acordo com a escala Saffir-Simpson, uma depressão tropical é a classificação mais baixa para um ciclone tropical, visto que ela produz ventos inferiores aos 63 km/h, mas com rajadas que podem superar essa velocidade.

Próximos dias

Existem ainda muitas incertezas em relação a rota e intensidade do sistema nos vários modelos numéricos. Os modelos GFS e o ECMWF, estão prevendo um deslocamento para sul do ciclone nas próximas 48 horas com intensidade variável próximo à costa da Região Sudeste. Mas uma forte perturbação no jato subtropical deve atrair a baixa pressão para o oceano durante a semana. Com isso, espera-se que o sistema perca suas características tropicais enquanto se move para o Atlântico.

Já os modelos COSMO e ICON, sugerem um cenário mais pessimista devido uma possível aproximação perigosa do ciclone na costa do Espírito Santo na terça-feira (26). Essa possível aproximação pode trazer eventualmente chuvas e ventos fortes às regiões costeiras, além de ressaca no litoral.

Até o momento desta matéria, os prognósticos não mostravam o sistema com força de furacão atingindo o continente. Portanto, diante dos cenários incertos, você que mora entre o litoral da Bahia e do Espírito Santo precisa acompanhar as atualizações da previsão do tempo e os alertas das instituições oficiais, como a Marinha do Brasil e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), por exemplo.

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