Fóssil de 430 milhões de anos revela mar antigo no interior do Ceará
A colaboração entre universidades e órgãos ambientais resultou na identificação de icnofósseis raros, permitindo que o público visualize o passado remoto da biodiversidade marinha no Nordeste brasileiro.

O Laboratório de Paleontologia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) apresentou novos registros de fósseis de invertebrados marinhos encontrados no interior do Ceará. Os vestígios localizados em Tianguá trazem evidências fundamentais sobre o passado geológico remoto do estado.
A descoberta ocorreu a partir de uma rocha pesando aproximadamente 700 quilos, identificada dentro do Parque Nacional de Ubajara. As imagens dos materiais foram divulgadas recentemente pela instituição, atraindo o interesse da comunidade científica e de moradores da região da Ibiapaba.
Vestígios de um oceano pré-histórico no Ceará
Os fósseis encontrados possuem idade estimada em cerca de 430 milhões de anos, situando-se em um período anterior ao surgimento dos dinossauros. Esses registros foram classificados tecnicamente como icnofósseis, que consistem em marcas geológicas deixadas pela atividade biológica de organismos antigos.
O trabalho de identificação e análise foi conduzido pelo curso de Ciências Biológicas da UVA em colaboração direta com o Museu Dom José. Adicionalmente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a comunidade local apoiaram as etapas do estudo científico.
Pesquisadores envolvidos classificam o achado como um marco histórico para a paleontologia do estado, detalhando a vida marinha em eras extremamente remotas. A rocha de grandes dimensões preservou padrões de comportamento de animais que habitaram o fundo desse oceano primitivo.
Preservação e acesso ao patrimônio paleontológico
A peça integra oficialmente o acervo do Museu Dom José, instituição de referência para a preservação histórica na região. Todavia, o item se encontra emprestado por tempo indeterminado ao Parque Nacional de Ubajara, visando facilitar o acesso público e acadêmico.
Essa iniciativa permite que visitantes e pesquisadores apreciem o achado permanentemente no local de origem da descoberta. A exposição do fóssil estimula o turismo científico e reforça a importância da preservação dos parques nacionais como santuários de conhecimento.
A manutenção do material em Ubajara viabiliza novas frentes de investigação sobre a biodiversidade marinha de milhões de anos atrás. Simultaneamente, a parceria entre as entidades garante que o patrimônio seja guardado seguindo protocolos técnicos rigorosos de segurança e conservação.
A divulgação das imagens pelo Laboratório de Paleontologia na última sexta-feira (8) encerrou uma fase inicial de análises laboratoriais complexas. O estudo demonstra como a cooperação entre universidades, órgãos ambientais e a população pode gerar resultados científicos de relevância internacional.
Referências da notícia
Labopaleo/UVA expõe icnofósseis de 430 milhões de anos no Parque Nacional de Ubajara. 12 de maio, 2026.
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