Evidência científica da OMS: a carne processada é classificada como cancerígena ao nível do tabaco

O uso de nitritos e nitratos em carnes processadas é uma das principais causas dessas substâncias cancerígenas; em muitos casos, esse processo é agravado pelo cozimento a lenha.

O principal problema de saúde associado aos nitratos e nitritos é a sua capacidade de se combinarem com aminoácidos no estômago.
O principal problema de saúde associado aos nitratos e nitritos é a sua capacidade de se combinarem com aminoácidos no estômago.

A Organização Mundial da Saúde, por meio da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), classifica as carnes processadas no Grupo 1 de carcinógenos, com o mesmo nível de risco científico que o tabaco ou o amianto.

Essa classificação, baseada em mais de 800 estudos, ressalta a importante ligação entre o consumo de carnes processadas, como bacon, linguiça e presunto, e o aumento do risco de certos tipos de câncer, principalmente o colorretal.

Segundo o site Oncodaily, o consumo de carne processada está associado a um risco maior de certos tipos de câncer, especialmente o colorretal, devido a vários de seus ingredientes que causam danos ao DNA por substâncias como os compostos N-nitrosos (NOCs), formados a partir de nitratos e nitritos.

O consumo diário de 50 gramas desse tipo de alimento processado aumenta o risco de câncer colorretal em 18%.

Aminas heterocíclicas (AHCs) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs) são gerados durante o cozimento em altas temperaturas e atuam como potentes mutagênicos. O ferro presente na carne processada contribui para o estresse oxidativo e danos ao DNA. Além disso, alterações na microbiota intestinal e mudanças epigenéticas aumentam ainda mais o risco de câncer.

Fritar, grelhar e defumar (carnes) pode levar à formação de substâncias químicas nocivas.
Fritar, grelhar e defumar (carnes) pode levar à formação de substâncias químicas nocivas.

Esses mecanismos, em conjunto, ressaltam o potencial carcinogênico da carne processada, enfatizando a importância das escolhas alimentares na prevenção do câncer. Mas você pode estar se perguntando: o que são nitratos e nitritos?

Nitritos e nitratos: inimigos da saúde?

Nitratos e nitritos são comumente usados como conservantes em carnes processadas para prolongar sua vida útil e prevenir o crescimento bacteriano, particularmente contra patógenos como Clostridium botulinum e Listeria monocytogenes. No entanto, seu uso tem levantado preocupações sobre seu papel na formação de compostos N-nitroso (NOCs) carcinogênicos.

Esses compostos inibem eficazmente o crescimento bacteriano, garantindo assim a segurança das carnes processadas durante toda a sua vida útil. Eles também contribuem para o sabor característico e a cor rosada das carnes curadas, formando óxido nítrico, que reage com a mioglobina para criar pigmentos estáveis.

O principal problema de saúde associado aos nitratos e nitritos é a sua capacidade de se combinarem com aminoácidos no estômago para formar compostos orgânicos voláteis (COVs). Esses compostos são conhecidos carcinógenos que podem causar danos e mutações no DNA, aumentando potencialmente o risco de câncer.

Outra causa: as altas temperaturas ao cozinhar

Mas isso não é tudo; os métodos de cozimento também desempenham um papel significativo, já que o cozimento em altas temperaturas — como fritar, grelhar e defumar — pode levar à formação de substâncias químicas nocivas, como aminas heterocíclicas (AHCs) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), em carnes processadas.

Essas substâncias são especialmente comuns em carnes bem cozidas ou tostadas, como frango grelhado ou bife. Esses compostos são potentes mutagênicos e têm sido associados a um risco aumentado de câncer. As AHCs são formadas quando aminoácidos, açúcares e creatina reagem em altas temperaturas durante processos de cozimento como fritar na frigideira ou grelhar.

Por exemplo, grelhar salsichas ou hambúrgueres em fogo aberto pode levar à formação de HACs e PAHs, especialmente se a carne ficar carbonizada.

Da mesma forma, fritar bacon em uma frigideira em altas temperaturas pode produzir HACs, embora seja menos provável a formação de PAHs com esse método. Defumar carnes como presunto ou bacon pode causar a formação de PAHs devido à exposição prolongada à fumaça.

Recomendações de consumo

A ideia de que o consumo moderado de carne processada minimiza o risco de câncer é um equívoco comum. Organizações como a Sociedade Americana do Câncer (ACS) e o Instituto Americano de Pesquisa do Câncer (AICR) oferecem diretrizes sobre o consumo de carne.

A ACS recomenda evitar completamente as carnes processadas e sugere que aqueles que consomem carne vermelha limitem a ingestão a menos de 510 gramas por semana e consumam pouca ou nenhuma carne processada.

O AICR também enfatiza que não existe um nível seguro conhecido de consumo de carne processada e aconselha a escolha de fontes alternativas de proteína, como peixe, aves ou proteínas vegetais.