Cidade do Paraná vive cenário de guerra após passagem de tornado: ao menos 6 mortos e centenas de feridos; veja imagens

Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, registrou um dos piores desastres climáticos de sua história recente, com um tornado EF3 que causou mortes e desabrigou centenas de famílias.

Antes de depois da cidade Rio Bonito do Iguaçu, após supercélula formar tornado raro e provocar colapso em infraestrutura local. Foto: Google Steet View/ O Globo
Antes de depois da cidade Rio Bonito do Iguaçu, após supercélula formar tornado raro e provocar colapso em infraestrutura local. Foto: Google Steet View/ O Globo

Um tornado de categoria EF3, com ventos que chegaram a 250 km/h, atingiu a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, provocando uma destruição generalizada. Conforme informou o Simepar, essa classificação foi feita com base em análises de radar meteorológico e imagens das áreas afetadas. A escala usada vai de EF0 a EF5, sendo a categoria 3 considerada severa.

O fenômeno deixou ao menos seis mortos e mais de 600 feridos. Cerca de mil pessoas estão desabrigadas e 80% da cidade foi destruída. Casas desmoronaram, árvores foram arrancadas, e a rede elétrica sofreu colapso em diversos pontos.

A formação do tornado teve origem em um ciclone extratropical que atingiu o Sul do país, com reflexos também no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Estados do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, continuam em alerta devido às instabilidades atmosféricas.

Estrutura do tornado e impacto meteorológico

Segundo especialistas do Simepar, o fenômeno foi provocado por uma supercélula, que é um tipo de tempestade de grande intensidade, caracterizada por uma corrente de ar ascendente girando em espiral dentro da nuvem — o chamado mesociclone. O ambiente na região estava bastante úmido e aquecido, favorecendo a formação de eventos severos.

Outro fator relevante foi o cisalhamento dos ventos, ou seja, a diferença na direção e velocidade do vento entre camadas inferiores e superiores da atmosfera. Essa condição, segundo os meteorologistas, esteve especialmente elevada durante o episódio, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de tornados.

Além da destruição estrutural, foram registrados eventos de granizo e uma sensação térmica intensa, agravada pela umidade elevada do ar. A força do vento foi tamanha que veículos foram arrastados por vários metros, estruturas metálicas foram retorcidas e telhados completamente arrancados.

Reação do poder público e medidas de emergência

Diante do desastre, o Governo do Paraná enviou equipes de bombeiros de várias cidades, incluindo unidades especializadas em resgate, cães farejadores e ambulâncias para reforçar o atendimento. Hospitais da região operam com capacidade máxima, e leitos adicionais foram disponibilizados em municípios vizinhos.

A Defesa Civil estadual mobilizou caminhões com cestas básicas, kits de higiene e dormitório, com saída programada de Curitiba ainda na madrugada após o evento. A região afetada também conta com apoio de policiais militares, servidores municipais e voluntários, que auxiliam nas buscas por vítimas e no socorro às famílias.

No nível federal, o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR) anunciou o envio de ajuda humanitária, além do suporte a ações de reconstrução e atendimento emergencial.

Outras cidades do Paraná também registraram ventos intensos. Em Dois Vizinhos, por exemplo, foram marcados 82,4 km/h, enquanto em Londrina as rajadas chegaram a 60,1 km/h. As previsões indicam que o clima deve permanecer instável nos próximos dias, especialmente nas regiões Oeste e Centro-Sul do estado.

Referências da notícia

Tornado que atingiu PR é classificado como EF3, confirma Simepar. 8 de novembro, 2025.