Ciclone Tropical Belna atinge Madagascar

Ciclone Belna atingiu a costa de Madagascar, com intensidade equivalente a um furacão categoria 1. Belna é um dos três ciclones tropicais que atuavam ao mesmo tempo no Oceano Índico e podem ser indicativos de uma temporada ativa entre 2019 e 2020.

Carolina Barnez Carolina Barnez 11 Dez. 2019 - 21:31 UTC
Ciclone Tropical Belna
Ciclone Tropical Belna atingiu Madagascar na segunda-feira. Créditos: NOAA Environmental Visualization Laboratory

Ciclone Belna atingiu a costa de Madagascar na Segunda (9) com ventos de 145 km/h, equivalentes a um furacão categoria 1. Belna é um dos três ciclones tropicais que atuavam ao mesmo tempo no Oceano Índico. A cidade mais atingida foi Soalala, no Noroeste do país.

Algumas horas antes de atingir Madagascar, Belna se fortaleceu em um região onde a temperatura de superfície do mar estava entre 29 e 30ºC. As altas temperaturas fortaleceram a convecção do sistema tropical, o que permitiu uma intensificação rápida e inesperada do ciclone antes de atingir a costa.

O ciclone é considerado pequeno em tamanho, logo a área de atuação de seus impactos se limitam à Madagascar. A ilha foi afetada por ventanias, inundações e alagamentos causados tanto pela chuva quanto pelos ventos associados ao ciclones. A umidade trazida pelo sistema também causaram chuvas severas que afetavam outras partes do país até ontem.

A cidade de Soalala, a mais afetada pelo sistema, foi inundada após o rompimento de um dique. Pelo menos 2 pessoas morreram e 3 ainda estão desaparecidas. Os habitantes da cidade tiveram que ser evacuados com urgência e estima-se que 1400 perderam suas casas e estão alojados provisoriamente em escolas, mesquitas e edifícios públicos.

Oceano Índico ativo

Belna é um dos três ciclones tropicais que se formaram no oeste do Oceano Índico na última semana, os outros foram nomeados Ambali e Pawan. A fase positiva do Dipolo do Oceano Índico é caracterizada por anomalias quentes de temperatura de superfície do mar no setor oeste do Índico e Mar Arábico, fornecendo um ambiente propício para a formação de ciclones tropicais. Além disso, a Oscilação Madden-Julian (MJO) também encontra-se em uma situação que favorece a formação de ciclones no Índico.

O ciclone tropical Ambali não afetou nenhuma área emersa, mas apresentou uma intensificação memorável: 185 km/h em 24 horas, a maior intensificação em 24 horas já registrada no Hemisfério Sul e a segunda intensificação mais rápida já registrada no mundo. Pawan foi um sistema fraco que atingiu a Somália no Sábado, causando chuvas severas na região.

É interessante notar que Pawan se formou a Norte do Equador, enquanto Ambali e Belna se formaram ao Sul. Isso significa que, apesar dos três sistemas serem ciclones, Pawan girava no sentido anti-horário, enquanto os outros dois tinham rotação horária. O Oceano Índico é uma das únicas bases que tem a ocorrência de ciclones tropicais ao Norte e ao Sul do Equador nessa época do ano. A maior parte do Hemisfério Sul ainda tem temperatura de superfície do mar abaixo da necessária para a formação de ciclones tropicais nesse época do ano.

Publicidade