Céu do Paraná é iluminado por sprites vermelhos e fenômeno raro desperta atenção de especialistas

Após uma década de tentativas e inúmeras noites de observação, um fotógrafo do Paraná conseguiu registrar sprites vermelhos, fenômeno atmosférico raro que dura frações de segundo e fascina a ciência.

Céu paranaense foi iluminado por sprites vermelhos. Foto: Reprodução/ Asaff Saab de Souza
Céu paranaense foi iluminado por sprites vermelhos. Foto: Reprodução/ Asaff Saab de Souza

O céu de Umuarama, no noroeste do Paraná, foi palco de um fenômeno raro e fascinante. Durante a noite de 12 de janeiro, luzes avermelhadas brilharam por breves instantes acima das nuvens, chamando a atenção de quem observava a chegada de uma tempestade. O registro foi feito pelo fotógrafo Asaff Saab de Souza, que há anos se dedica a captar imagens de fenômenos atmosféricos.

Segundo ele, o momento passou despercebido durante a gravação, já que o fenômeno não é visível a olho nu. Apenas ao revisar o material, o fotógrafo percebeu o que havia captado. Ele explicou que as condições meteorológicas da noite favoreceram a ocorrência do evento atmosférico raro, que surge rapidamente e desaparece em milissegundos. Para ele, o registro é resultado de uma combinação rara entre técnica, paciência e sorte.

O que são os “sprites vermelhos” e como eles se formam

Essas luzes misteriosas, conhecidas como sprites vermelhos, pertencem à categoria dos eventos luminosos transientes (ELTs) — descargas elétricas que ocorrem nas camadas mais altas da atmosfera, bem acima das nuvens de tempestade. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os sprites duram entre 1 e 10 milissegundos, tempo tão curto que a maioria das pessoas sequer percebe sua existência.

O fenômeno é causado por uma mudança brusca no campo elétrico logo após uma descarga intensa de raios. Essa perturbação se propaga para cima, atingindo a mesosfera, camada atmosférica que fica entre 50 e 90 quilômetros de altitude. Nesse ponto, o ar é extremamente rarefeito e não sustenta o campo elétrico gerado pela tempestade, o que desencadeia uma descarga no ar rarefeito — o chamado sprite.

A tonalidade vermelha característica surge quando elétrons livres colidem com moléculas de nitrogênio. Ao retornarem ao estado normal, essas moléculas emitem luz, formando filamentos verticais visíveis em registros fotográficos. O resultado é uma série de brilhos delicados, quase etéreos, que parecem dançar sobre as nuvens por frações de segundo.

Um registro aguardado por mais de uma década

Apaixonado por tempestades e eventos naturais, Asaff Saab afirmou que esperava há mais de dez anos a chance de registrar os sprites vermelhos. Mesmo sem formação em meteorologia, ele dedica parte do tempo livre à observação do céu e à fotografia de relâmpagos, nuvens e formações incomuns.

Segundo o fotógrafo, capturar sprites é um desafio por diversos motivos. O brilho avermelhado ocorre em altas altitudes, com duração extremamente curta e exige condições atmosféricas muito específicas, além de equipamentos sensíveis e um olhar atento. Ele descreve a experiência como a concretização de um sonho pessoal e um marco em sua trajetória de registros meteorológicos.

O Simepar destaca que imagens como essa ajudam a compreender melhor a interação entre tempestades e as camadas superiores da atmosfera, um campo que ainda desperta interesse científico. A ocorrência dos sprites, embora rara, mostra o quanto a natureza continua surpreendendo mesmo em tempos de satélites e tecnologias avançadas.

Referências da notícia

Luzes avermelhadas aparecem no céu do Paraná em fenômeno raro. 16 de janeiro de 2026.