Buraco do ozônio tropical é sete vezes maior do que o da Antártica

Uma descoberta global surpreendente! Pesquisa conclui sobre a existência de um buraco de ozônio nos trópicos. Como será ele? Saiba mais abaixo.

Sol, amanhecer, Terra, Ozônio
A definição tradicional de "buraco de ozônio" era um grande empecilho para se estudar (e descobrir) o buraco de ozônio tropical.

A implementação e as revisões do Protocolo de Montreal levaram a uma diminuição das substâncias que destroem a camada de ozônio na estratosfera (segunda camada da atmosfera) desde 1994. No entanto, o buraco de ozônio sobre o Ártico estabeleceu o recorde de maior em 2020; embora os buracos de ozônio de 2020 e 2021 sobre a Antártica estivessem entre os maiores, mais profundos e mais persistentes.

A revista AIP Advances publicou um estudo relacionado com a descoberta do "buraco de ozônio tropical". Foi um grande desafio, pois ao contrário dos buracos de ozônio polar, que são sazonais e aparecem principalmente na primavera, um buraco de ozônio tropical permanece essencialmente inalterado ao longo das estações do ano. Isto o torna "invisível" em dados observados.

A pesquisa revela um grande buraco permanente de ozônio na estratosfera inferior sobre os trópicos (30°N-30°S), que existe desde os anos 80.

Além disso, contrariando as regiões polares, a camada de ozônio tropical encontra-se principalmente na estratosfera a uma altitude superior a 25 km. Apenas uma porcentagem relativamente pequena (entre 25% e 30%) do total do ozônio é distribuída na estratosfera tropical inferior (entre 10 e 25 km de altitude).

A definição convencional

Um fato relevante, que dificultou a observação do buraco de ozônio nos trópicos, é a definição convencional deste fenômeno. Um buraco de ozônio é definido como "uma área em que os valores totais de ozônio caem abaixo do limiar histórico de 220 Unidades Dobson (DU)". Este é o valor de ozônio total do buraco Antártico medido pelo satélite TOMS da NASA, em 1979.

Estas descobertas são importantes para a compreensão da física planetária, do esgotamento da camada de ozônio, das mudanças climáticas e da saúde humana.

Mas a pesquisa definiu um buraco de ozônio como "uma área com uma perda de ozônio superior a 25% do valor de ozônio inalterado quando não havia clorofluorcarbonetos (CFC) significativos na estratosfera". Esta nova definição é suportada pela perda de ozônio observada sobre o Ártico. Em outras palavras, uma área com uma perda de ozônio de 25% é aproximadamente o limiar para observar um buraco de ozônio no Ártico.

O buraco de ozônio tropical

A profundidade média do buraco anual de ozônio tropical é comparável à do buraco de ozônio do Antártico na primavera. Já o tamanho do buraco tropical é quase sete vezes maior do que o do buraco Antártico.

buraco de ozônio tropical
Mudança percentual da concentração de ozônio climatológico em cada estação do ano entre as décadas de 2000 e 1960. Fonte: Qing-Bin Lu (2022).

Por outro lado, a destruição média anual da camada inferior da estratosfera sobre os trópicos é surpreendentemente grande. É de 77% contra 47% na Antártica e contra 10% no Ártico nos anos 90, período em que os buracos polares estavam no auge.

O grande buraco de ozônio tropical, presente ao longo do ano, pode causar um aumento da radiação ultravioleta e afetar 50% da superfície da Terra, que abriga cerca de 50% da população mundial. Além disso, a presença de buracos de ozônio tropicais e polares é equivalente à formação de três "buracos de temperatura" observados na estratosfera.

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