A guerra dos robôs começou, e não é com um T-1000: este é o soldado humanoide de aço testado em combate na Ucrânia

Pela primeira vez na história militar, um robô humanoide projetado para combate entrou em campo de batalha. O que antes era ficção científica com os Exterminadores do Futuro tornou-se tecnologia de guerra real.

O Phantom MK1 é o primeiro robô humanoide autônomo testado em combate (Ucrânia, fevereiro de 2026). Ele pode ser treinado para desarmar bombas.
O Phantom MK1 é o primeiro robô humanoide autônomo testado em combate (Ucrânia, fevereiro de 2026). Ele pode ser treinado para desarmar bombas.

É totalmente preto, tem 1,8 metros de altura e pode empunhar desde uma pistola até um fuzil M-16.

Não se trata de um personagem de filme: é o Phantom MK-1, e em fevereiro de 2026 duas unidades desse robô humanoide chegaram à linha de frente na Ucrânia, no que é considerado o primeiro emprego de um androide em um conflito armado ativo na história.

Por trás do projeto está Sankaet Pathak, CEO da Foundation Robotics, uma startup de São Francisco com apenas dois anos de existência e US$ 24 milhões em contratos com o Exército, a Marinha e a Força Aérea dos Estados Unidos.

O argumento de Pathak é desconcertante em sua simplicidade: o mundo foi construído para os seres humanos, então um robô humanoide pode usar as mesmas armas e cruzar os mesmos limites sem redesenhar a infraestrutura. É mais fácil moldar a máquina do que mudar a guerra.

Poderoso no papel, frágil na prática

Testes realizados na Ucrânia revelaram um robô que, em teoria, era poderoso, mas apresentava limitações claras na prática.

O Phantom MK-1 pode transportar até 40 quilos, não é à prova d'água, não consegue se endireitar em caso de queda e sua bateria não dura para operações prolongadas. Mesmo assim, missões de reconhecimento e reabastecimento demonstraram algo que Pathak considera crucial: o sistema pode executar as tarefas mais letais de um soldado, aquelas em que recuperar suprimentos em uma zona de combate equivale a arriscar a própria vida.

A Fundação já está trabalhando no Phantom 2, com o dobro da capacidade de carga e recursos que Pathak chama de "sobre-humanos", e planeja enviá-los para a Ucrânia até o final de 2026. A meta de produção é de 50.000 unidades até 2027, a menos de US$ 20.000 cada.

Até 2027, está previsto produzir 50.000 unidades do Phantom 2, um soldado humanoide com capacidades "sobre-humanas", a um custo inferior a 20.000 dólares cada.

O Goldman Sachs — um dos maiores grupos de banco de investimento e valores mobiliários do mundo — prevê que entre 50.000 e 100.000 robôs humanoides serão comercializados globalmente somente até 2026, sendo as aplicações militares um dos segmentos de crescimento mais rápido.

A questão que a tecnologia não consegue responder sozinha

A expansão da robótica militar não está acontecendo sem resistência. Em 2023, a Boston Dynamics, a Agility Robotics e outras empresas líderes assinaram um pacto comprometendo-se a não militarizar suas plataformas.

O MK1 tem 1,8 m de altura, pesa 80 kg, pode transportar uma carga de 40 kg e funciona a uma velocidade máxima de 100 km/h.
O MK1 tem 1,8 m de altura, pesa 80 kg, pode transportar uma carga de 40 kg e funciona a uma velocidade máxima de 100 km/h.

A fundação escolheu o caminho oposto. O cofundador Mike LeBlanc fala de um "imperativo moral" para enviar robôs para a linha de frente em vez de soldados. É um argumento sedutor, mas que ignora a questão mais difícil: quem é responsabilizado quando um algoritmo mata um civil?

A ONU também está ciente disso. Em maio de 2025, representantes de 96 países se reuniram na Assembleia Geral para discutir sistemas de armas autônomas letais.

Num futuro não muito distante, cenas com tropas mistas de humanos e robôs provavelmente deixarão de ser uma fantasia reservada apenas à ficção científica.
Num futuro não muito distante, cenas com tropas mistas de humanos e robôs provavelmente deixarão de ser uma fantasia reservada apenas à ficção científica.

O Secretário-Geral António Guterres classificou-os como "politicamente e moralmente inaceitáveis" e estabeleceu 2026 como prazo limite para a obtenção de um tratado vinculativo. Este é precisamente o ano em que estes robôs já estão a operar numa frente de combate real.

O paradoxo não tem solução fácil: enquanto a diplomacia corre contra o tempo, a tecnologia leva vantagem. O Phantom MK-1 ainda não é um soldado autônomo. Mas é o primeiro passo nessa direção. E esse passo já foi dado, em uma trincheira ucraniana, em fevereiro de 2026.