Como será a segunda quinzena de Janeiro de 2020?

Os próximos 15 dias serão representados por uma mudança brusca de padrão. Os responsáveis por isso são as oscilações Antártica e de Madden-Julian. Confira a discussão climática.

Tiago Robles Tiago Robles 15 Jan. 2020 - 12:30 UTC
Clima de Janeiro, Madden-Julian, Oscilação Antártica
As Oscilações Antártica de Madden-Julian serão os fatores responsáveis pela mudança de padrão das chuvas e de temperaturas nos próximos 15 dias.

Os primeiros quinze dias de janeiro vêm sendo marcados pelas altas temperaturas e por uma distribuição de chuva bastante irregular tanto espacialmente quanto ao longo do dias em boa parte do país. As anomalias de chuvas até o dia 14 mostram que os volumes já superaram o esperado para o mês em várias localidades, como em praticamente toda a Região Sul e em boa parte do Nordeste. No entanto, as chuvas ocorreram de forma distinta e por motivos diferentes.

No Rio Grande do Sul, a primeira semana do mês foi de predomínio de tempo seco e de pancadas muito isoladas e de curta duração. Já nas segunda semana, as chuvas que ocorreram no período de dois dias já foram suficientes para ultrapassar a média de janeiro em torno de 50 mm. Anomalias expressivas se encontram no estado da Bahia, onde já choveu até 100 mm acima do esperado. No entanto, toda essa chuva aconteceu no início do mês. Já no norte do Nordeste, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) vem provocando chuvas volumosas e abrangentes.

Uma prova da irregularidade temporal está nas anomalias de temperaturas máxima e mínima que majoritariamente ficaram acima da média. Se as chuvas fossem constantes e bem distribuídas, devido a frequência e da cobertura de nuvens por mais tempo se esperariam valores de anomalia menores ou até mesmo negativos. Está condição pode ser observada no estado do Mato Grosso, que mesmo com volumes menores, houveram chuvas quase todos os dias ao longo dessa primeira quinzena.

Oscilações Antártica e de Madden-Julian

Desde a primavera a Oscilação Antártica (AAO) vem sendo um fator extremamente importante na definição da estação chuvosa, ainda mais pelo influência do fenômeno raro Aquecimento Estratosférico, que contribuiu para a manutenção do índice em valores negativos desde a segunda quinzena de outubro. Com o enfraquecimento do fenômeno na segunda metade de dezembro a AAO passou a oscilar em torno da neutralidade.

Na gráfico acima se pode notar que, para os próximos dias, há um pequeno período de aproximadamente 5 dias sem variação e uma forte tendência negativa, que será determinante para o avanço de sistemas frontais e diminuição das temperaturas. Podemos esperar um aumento das chuvas em boa parte do Brasil.

Outro fator extremamente importante é a Oscilação de Madden-Julian (MJO), que após entrar nas fases 4 e 5, segundo o diagrama acima, as chuvas se tornaram irregulares no Centro-Norte do país. Isso ocorre pelo fato de que essas fases representam um período de subsidência da MJO sobre o Brasil e, consequentemente, há supressão da atividade convectiva. Para os próximos dias a MJO passa a entrar fase 6 se prolongando ao máximo até a 7, o que corresponde à um cenário oposto e muito mais favorável às chuvas, como pode ser visto através das manchas verdes do mapa.

Anomalias de temperatura e de precipitação para os próximos 15 dias

O modelo Climate Forecast System (CFSv2) está bastante coerente com as mudanças de padrão promovida pelos fatores climáticos AAO e MJO. Nos próximos 7 dias as chuvas se concentram ainda no Centro-Sul do país, principalmente nos estados da Região Sul, onde se pode destacar uma maior contribuição para o Rio Grande do Sul. Em relação à temperatura, o aumento da chuva contribui para valores mais baixos no estado e em parte de Santa Catarina.

Já nos 7 dias restante, o cenário é outro. Com a tendência negativa da AAO e uma fase convectiva da MJO as chuvas tendem a aumentar no Centro-Norte, uma vez que a atuação de sistema frontais, cavados e baixas pressões está sendo favorecida, contribuindo para a formação de canais de umidade ou de zonas de convergência, juntamente com a atividade convectiva no norte do país.

Com a maior concentração de chuvas no Centro-Norte é de se esperar uma diminuição em parte do Centro-Sul. A atuação de massas de ar mais frio e do excesso de chuvas fazem com que as temperaturas também diminuam.

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