Ciclone extratropical vai favorecer calor extremo de quase 40°C no Sudeste; entenda e confira a previsão

Temperaturas sobem a limiares extremos no Sudeste neste fim de semana. Entenda como isso se relaciona ao ciclone no sul do continente e confira a previsão do tempo.

Pré-frontal: escoamento que antecede a frente fria transporta calor para o Sudeste. Imagem: Reprodução/Ronaldo Silva/Ato Press/Agência O Globo.
Pré-frontal: escoamento que antecede a frente fria transporta calor para o Sudeste. Imagem: Reprodução/Ronaldo Silva/Ato Press/Agência O Globo.

Um ciclone extratropical está em processo de formação no sul da América do Sul. O sistema se desenvolve a partir do abaixamento (diminuição) da pressão atmosférica, que deverá evoluir para um centro fechado de baixa pressão nos próximos dias, conhecido como ciclone.

A rodada mais recente do modelo meteorológico de referência da Meteored, o ECMWF, indica que o ciclone deve se consolidar sobre a Argentina na sexta-feira (9) e avançar em direção ao Uruguai, deslocando-se posteriormente para o sudeste do Oceano Atlântico ao longo do sábado (10).

A fronteira do Rio Grande do Sul está em alerta para efeitos da passagem do ciclone, principalmente para tempestades severas e rajadas intensas de vento.

Previsão de ciclone (letra L dentro das linhas de pressão) e probabilidade de chuva (escala de cores) neste sábado (10), de acordo com o ECMWF.
Previsão de ciclone (letra L dentro das linhas de pressão) e probabilidade de chuva (escala de cores) neste sábado (10), de acordo com o ECMWF.

Além do Rio Grande do Sul, o ciclone também terá efeitos indiretos relevantes sobre grande parte do centro-sul do Brasil.

Entre eles, a ocorrência de tempestades severas em pelo menos outros 4 estados, associadas ao avanço da frente fria do ciclone, e também a elevação acentuada das temperaturas no Sudeste ao longo do fim de semana, se aproximando dos 40°C em algumas áreas.

A seguir, entenda o mecanismo pelo qual as temperaturas se elevam no Sudeste e a previsão do tempo para a região.

Quadro pré-frontal favorece elevação de temperaturas no Sudeste

O chamado “quadro pré-frontal” nada mais é que a configuração típica da atmosfera que antecede a passagem de uma frente fria, também conhecido como sistema frontal.

Um sistema frontal é tipicamente composto por uma frente fria, uma frente quente (que nem sempre está presente) e um ciclone, como ilustrado abaixo.

Representação esquemática de um sistema frontal no Hemisfério Sul, composto por ciclone (B), frente fria e frente quente.
Representação esquemática de um sistema frontal no Hemisfério Sul, composto por ciclone (B), frente fria e frente quente.

Na região Sudeste do Brasil, os ventos nos baixos níveis da atmosfera têm direção preferencial de nordeste, influenciados principalmente pelo sistema chamado de Alta Subtropical do Atlântico Sul.

Numa situação pré-frontal, o vento muda tipicamente para um vento de noroeste, trazendo ar quente do interior do continente (advecção/transporte horizontal de temperatura) e fazendo as temperaturas subirem. À medida que o sistema frontal passa, o vento muda sua direção para sudoeste e depois sudeste, trazendo temperaturas mais amenas.

Alerta de calor extremo

Neste contexto, o próximo fim de semana será de temperaturas elevadas na região Sudeste, favorecidas pelo quadro pré-frontal. O índice de previsão extrema (EFI) do ECMWF para temperatura máxima dispara um alerta para temperaturas extremas para esta época, tanto sábado (10) quanto domingo (11).

EFI do ECMWF para temperatura máxima sábado (10, esquerda) e domingo (11, direita). Créditos: Adaptado de ECMWF.
EFI do ECMWF para temperatura máxima sábado (10, esquerda) e domingo (11, direita). Créditos: Adaptado de ECMWF.

Este índice destaca em cores laranja e vermelho áreas onde provavelmente a temperatura máxima diária irá ultrapassar o limite estatístico considerado extremo. Neste caso, o limite utilizado é o quantil 99, e isso quer dizer que apenas 1 em cada 100 previsões do modelo alcançam o valor que está sendo previsto. Como veremos a seguir, parte do Sudeste terá temperaturas que se aproximam dos 40°C.

Já as cores em azul e rosa mostram o contrário: onde as máximas previstas estão muito abaixo do normal. Isso destaca o grande contraste térmico entre a região da massa de ar frio e a área que está sob atuação do quadro pré-frontal.

Temperaturas se aproximam dos 40°C no fim de semana

A previsão dos principais modelos meteorológicos indicam temperaturas próximas aos 40°C principalmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro no sábado (10) e, principalmente, domingo (11).

O modelo ECMWF prevê valores máximos da ordem dos 38°C tanto em São Paulo (centro-norte e interior) quanto no Rio de Janeiro (oeste do estado). Estes valores representam cerca de 8°C acima da média.

Previsão de anomalia de temperatura máxima neste domingo (11), de acordo com o ECMWF.
Previsão de anomalia de temperatura máxima neste domingo (11), de acordo com o ECMWF.

Já o modelo global GFS prevê temperaturas ainda superiores no domingo (11), com os termômetros podendo alcançar 40°C na região entre Queimados e Piraí, no Rio de Janeiro.

A umidade relativa do ar será abaixo de 30% em grande parte da área atingida pelo calor extremo, principalmente na área destacada com as maiores anomalias de temperatura no mapa acima. Isso liga um alerta para que a população tome cuidados redobrados com a saúde.

Previsão de temperatura máxima no domingo (11), de acordo com o GFS.
Previsão de temperatura máxima no domingo (11), de acordo com o GFS.

Nas capitais, a previsão indica temperaturas máximas de:

  • São Paulo (SP): 33°C sábado, 35°C domingo
  • Rio de Janeiro (RJ): 32°C sábado, 33°C domingo
  • Belo Horizonte (MG): 30°C sábado e domingo
  • Vitória (ES): 28°C sábado e domingo

Para os paulistanos, os valores previstos são parecidos com aqueles (recordes) registrados entre o Natal e o Ano Novo de 2025.

As recomendações para dias com calor extremo e baixa umidade do ar incluem ingerir bastante água e evitar exposição ao sol nos horários mais quentes do dia, além de umidificar os ambientes internos sempre que possível. Grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e imunossuprimidos devem ter cuidados redobrados, e atendimento médico deve ser procurado em caso de mal estar.