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Alerta: número de incêndios florestais pode disparar em Julho

Com previsões indicando temperaturas altas, umidade relativa baixa e estiagem ao longo de praticamente todo o mês de Julho, o número de incêndios florestais e queimadas aumentará consideravelmente no Brasil central.

Alerta: Número de incêndios florestais vai disparar em Julho
Com temperaturas altas, umidade relativa baixa e estiagem ao longo de todo o mês de Julho, o número de incêndios florestais e queimadas deve aumentar.

Nos últimos dias, um padrão de bloqueio tem se estabelecido na América do Sul, dificultando o avanço de frentes frias pelo país e mantendo o tempo seco na maior parte do Sudeste e Centro-Oeste. Este período será caracterizado por madrugadas frias e tardes muito quentes.

E, de fato, estações já estão registrando temperaturas acima de 30°C, e as previsões indicam possibilidade de temperaturas próximas aos 40°C no Brasil Central - um veranico que deve persistir ao longo de praticamente todo o mês de Julho.

Além disso, a umidade do ar pode atingir valores críticos, abaixo dos 20% - estado considerado de alerta - chegando até mesmo a 10% em pontos isolados, caracterizando um estado de emergência que pode causar graves problemas de saúde.

A junção destes três fatores - temperaturas altas, estiagem e baixa umidade relativa do ar - agrava ainda mais um dos problemas mais preocupantes no Brasil: os incêndios florestais. Mesmo com um mês de junho frio, o número de queimadas registradas pelo INPE em todo o país não esteve baixo: 7581 focos, enquanto a média para junho é de 7585.

Mapa de umidade do ar mostra regiões com valores abaixo dos 20%, chegando até a 10% em pontos isolados, o que caracteriza estado de emergência.

Agora, com condições meteorológicas capazes de impulsionar o fogo ao longo do mês inteiro, as previsões indicam que o número de queimadas deve disparar. Embora seja difícil estimar a quantidade exata, o número de queimadas certamente ficará acima da média em Julho.

Além de destruir vegetação nativa e matar animais selvagens, incêndios florestais também podem causar prejuízos financeiros e matar pessoas. São capazes de destruir pastos e áreas naturais, atingir casas, galpões, armazéns e também instalações rurais.

Existe diferença entre queimadas e incêndios florestais?

Apesar de poucas pessoas saberem, há uma diferença entre os termos. Queimadas são queimas previstas e controladas da vegetação. Acontecem especialmente durante o processo de produção e manejo em atividades florestais ou do agronegócio, em áreas com limites físicos previamente definidos, e são realizadas de forma planejada e controlada.

Já incêndios florestais são queimas imprevistas e descontroladas em uma vegetação. Podem ser desencadeados por causas naturais (raios), provocados de forma acidental (descuidos) ou intencional (provocado por incendiários). Queimadas que saem de controle podem, portanto, se tornar incêndios florestais.

Quem causa as queimadas e os incêndios florestais?

De acordo com dados do INPE, praticamente todas as queimadas da América do Sul são causadas por seres humanos, por razões variadas: desde limpeza de pastos, preparo de plantios, desmatamentos e colheita manual de cana-de-açúcar, até vandalismo, queda de balões, disputas fundiárias e protestos sociais.

Queimadas naturais são causadas por raios, e portanto são inexistentes nos períodos de estiagem prolongada e intensa, quando não há tempestades capazes de formarem raios. Este período seco é também aquele no qual mais se queima no País, reforçando a responsabilidade humana.

Com mais de trezentas mil queimadas por ano e nuvens de fumaça capazes de cobrir literalmente bilhões de hectares, o Brasil infelizmente se mantém na lista de países que contribuem fortemente com a poluição e com as mudanças climáticas.