Massa polar em SC: frio de −5°C beneficia maçãs, mas traz risco das geada; confira
Massa polar leva mínimas de até −5°C aos pomares catarinenses, adiciona horas de frio importantes à dormência das macieiras e exige atenção onde cultivares precoces já iniciaram brotação, especialmente entre sábado e terça-feira nos polos serranos.

A massa de ar polar manterá Santa Catarina sob frio intenso entre 22 e 25 de agosto, com mínimas de −1°C a −5°C no Planalto Sul. Em São Joaquim, Fraiburgo e Caçador, o episódio adiciona frio aos pomares de maçã, pera e pêssego, mas também aumenta o risco para gemas que já avançaram na brotação.
O efeito não é contraditório: durante a dormência, temperaturas abaixo de 7,2°C ajudam a regular a retomada do crescimento. Quando há tecido verde ou floral exposto, porém, o congelamento pode provocar lesões. Por isso, aplicações para indução de brotação, irrigação e operações devem considerar cultivar, estágio fenológico e microclima do pomar.
São Joaquim, Fraiburgo e Caçador já superam a média de horas de frio
Entre 1º de abril e 31 de julho, São Joaquim acumulou 547 horas abaixo de 7,2°C, ante média histórica de 509. Fraiburgo registrou 346 horas, frente a 340, enquanto Caçador chegou a 325, contra 317. Na média das localidades monitoradas, 2026 ficou 6,7% acima da climatologia, embora ainda 13,2% abaixo de 2025.

O indicador de unidades de frio reforça o cenário. São Joaquim somou 1.373 unidades, Fraiburgo 807 e Caçador 646; as médias históricas são, respectivamente, 1.351, 727 e 564. Esse saldo favorece a superação da dormência e uma brotação mais uniforme, especialmente quando a planta recebe calor suficiente depois do inverno. Não significa, contudo, que qualquer queda de temperatura traga benefício.
Geada encontra cultivares em estágios diferentes no fim de agosto
A previsão indica mínimas de 0°C a 4°C nas áreas altas do Oeste aos Planaltos no sábado, com −1°C a −3°C no Planalto Sul. No domingo, o núcleo pode alcançar −5°C; entre segunda e terça-feira, valores negativos ainda são possíveis. São Joaquim tende a permanecer no setor mais frio, enquanto Fraiburgo e Caçador dependem mais do relevo e da drenagem de ar de cada pomar.

O monitoramento da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), realizado em 2026, já identificou antecipação da brotação de ‘Eva’ e ‘Condessa’, cultivares de menor exigência em frio. ‘Gala’ e ‘Fuji’ permanecem condicionadas ao calor acumulado em agosto e setembro.
Assim, duas quadras separadas por poucos quilômetros podem responder de forma diferente: gemas dormentes toleram melhor o episódio, enquanto estruturas hidratadas e em crescimento exigem vigilância.
- Em São Joaquim, mínima próxima de −5°C no dia 23 amplia o risco em baixadas com brotação iniciada.
- Em Fraiburgo, 346 horas de frio já acumuladas pedem conferência do estágio de ‘Eva’ e ‘Condessa’ antes do manejo.
- Em Caçador, 646 unidades de frio tornam cultivar e posição no terreno decisivas para avaliar a exposição.
- No Planalto Sul, geada entre 22 e 25 recomenda monitoramento após cada amanhecer, sem antecipar perdas.
Janela de manejo muda após o pico do frio em Santa Catarina
O frio permanece mais forte até segunda-feira, 24, quando as máximas ficam abaixo de 22°C em Santa Catarina. A partir de terça-feira, 25, a temperatura começa a subir; nos dias 26 e 27, a previsão indica tempo firme e tardes mais quentes em São Joaquim, Fraiburgo e Caçador, com maior nebulosidade restrita ao litoral e áreas próximas.

Essa transição pode abrir janela para inspeção de gemas, avaliação de possíveis lesões e planejamento dos tratamentos de brotação. O informe técnico indica que aplicações dependem de 4 a 6 horas acima de 18°C durante 3 a 4 dias consecutivos; portanto, não devem ser decididas apenas pelo calendário.
Irrigação, pulverização e entrada de máquinas também precisam respeitar umidade do solo, vento e orientação agronômica local.