Sustentabilidade: pesquisadores transformam fruto da macaúba em embalagens biodegradáveis

A fibra e a polpa do fruto da macaúba, uma palmeira oleaginosa, foram utilizadas como uma alternativa às bandejas de isopor e sacolas plásticas. Veja aqui mais informações sobre este projeto sustentável.

A palmeira macaúba (Acrocomia aculeata), também conhecida como macaíba, bocaiúva e dendê mineiro. Crédito: Shutterstock.
A palmeira macaúba (Acrocomia aculeata), também conhecida como macaíba, bocaiúva e dendê mineiro. Crédito: Shutterstock.

A macaúba (Acrocomia aculeata) é uma palmeira oleaginosa nativa das savanas, cerrados e florestas abertas da América Tropical. No Brasil, ela se concentra principalmente em Minas Gerais, mas pode ocorrer também nos biomas Cerrado, Mata Atlântica, Floresta Amazônica e Pantanal.

Essa palmeira pode crescer até 20 metros e possui folhas pinadas com comprimento que varia de 3 a 5 metros. O principal uso do seu fruto destina-se para extração do óleo, tanto da polpa, como da amêndoa.

As fibras do fruto da palmeira macaúba foram testadas como um novo produto biodegradável alternativo às bandejas de isopor.

E agora uma pesquisa inovadora focando na sustentabilidade está sendo desenvolvida na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Pesquisadores estão criando dois tipos de embalagens inovadoras a partir do fruto da macaúba, que tem grande potencial produtivo. O projeto é realizado no Laboratório de Desenvolvimento de Novos Produtos, no campus-sede da UEM. Saiba mais abaixo.

Inovação e sustentabilidade: embalagens biodegradáveis com fruto da macaúba

A partir das fibras do fruto, são criadas embalagens alternativas para as bandejas de isopor comuns que encontramos em mercados. Já a polpa do fruto da macaúba é transformada em um substituto biodegradável para os tradicionais sacos plásticos de uso único de mercados.

“Como a macaúba está sendo usada para reflorestamento, podemos destinar seus frutos para a indústria, substituindo plásticos de uso único, que não são ecológicos”, destaca Carmen Guedes, pesquisadora e mestranda na UEM.

O fruto da palmeira macaúba. No fruto que está aberto (à esquerda), a camada amarela externa é a polpa e a região branca é a sua castanha. Crédito: Universidade Estadual de Maringá.
O fruto da palmeira macaúba. No fruto que está aberto (à esquerda), a camada amarela externa é a polpa e a região branca é a sua castanha. Crédito: Universidade Estadual de Maringá.

E onde está a vantagem disso? Quando descartadas, as embalagens tornam-se adubo para as plantas, se degradando sem deixar resíduos e contribuindo para a fertilidade do solo.

Além disso, as embalagens incorporam o conceito de “embalagem ativa”, interagindo com alimentos para retardar reações de oxidação e prolongar sua vida útil.

Protótipos de embalagens para substituir o isopor e o plástico, a partir da fibra e da polpa da macaúba. Crédito: Universidade Estadual de Maringá.
Protótipos de embalagens para substituir o isopor e o plástico, a partir da fibra e da polpa da macaúba. Crédito: Universidade Estadual de Maringá.

E como passos futuros, os pesquisadores pretendem seguir explorando o potencial do fruto da macaúba. “O nosso principal objetivo é desenvolver produtos usando a macaúba. Infelizmente, hoje ela é aproveitada apenas para produção de biodiesel e é um fruto muito nobre para ser designado apenas para esse fim”, comenta Guedes.

Potenciais da macaúba

A macaúba tem enorme potencial para o Brasil, pois seu aproveitamento é praticamente integral, permitindo o desenvolvimento de diversos produtos e subprodutos.

Do seu caule pode ser extraído palmito; das folhas, pode-se produzir alimentos para animais; com as fibras, além do projeto citado, pode-se criar redes e cordas; e os óleos extraídos da polpa e das amêndoas do fruto podem ser utilizados tanto para a alimentação quanto para produzir margarina, cosméticos e sabonetes.

Além disso tudo, a macaúba pode ser utilizada, por exemplo, para projetos de recuperação ambiental e de reflorestamento, e para a produção de biocombustíveis e de biomassa.

Referência da notícia

Macaúba: pesquisa transforma fruto em embalagens biodegradáveis. 15 de dezembro, 2024. Gabriel Cavalheiro.

Pesquisadora transforma macaúba em embalagens biodegradáveis inovadoras. 10 de dezembro, 2024. Universidade Estadual de Maringá.

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