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Geada: O que é e como ocorre?

Com o aumento da entrada de massas de ar frio nessa transição para o inverno, lembramos de um fenômeno meteorológico que gera grandes preocupações aos agricultores do Brasil, a geada. O que é esse fenômeno? Sob que circunstâncias ele ocorre?

Paola Bueno Paola Bueno 15 Maio 2018 - 11:15 UTC
A geada é um fenômeno que ocorre devido as temperaturas mais baixas do outono e inverno.

Durante os meses mais frios do ano vemos a ocorrência frequente de um fenômeno meteorológico que está associado a diversos prejuízos, principalmente à agricultura do Brasil, a geada. Esse fenômeno gera grandes danos na produção agrícola do país, alterando diretamente o preço dos alimentos da população brasileira.

Na meteorologia, a geada é definida como um processo onde há a formação de gelo sobre uma superfície exposta, devido a ocorrência de temperaturas próximas de 0°C. Já para a agronomia, a geada é um fenômeno atmosférico que provoca a morte das plantas ou de suas partes, por causa das baixas temperaturas que congelam os tecidos vegetais, havendo ou não a formação de gelo sobre a vegetação.

As geadas podem ocorrer sob duas circunstâncias: a advecção de ar frio ou perda radiativa. A geada advectiva ocorre devido a advecção de ar frio, que é a entrada de uma intensa massa de ar frio, normalmente associado a passagem de frentes frias, que provocam significativas quedas de temperatura a partir de seus ventos frios.

A geada branca é aquela em que podemos ver a superfície das plantas cobertas por pequenos cristais de gelo.

A geada radiativa ocorre quando as condições meteorológicas favorecem a perda de calor do solo durante a noite. Isso normalmente ocorre nas noites de céu limpo, com pouco vento, baixa temperatura e pouca umidade do ar, condições características da atuação de um anticiclone pós frontal – anticiclone que atua após a passagem de uma frente fria.

Além de se diferirem pela sua origem, as geadas também se diferem pelo seu aspecto visual. A chamada geada branca é aquela que conseguimos observar o gelo sobre a superfície das plantas, normalmente ela ocorre sob condições de maior umidade do ar. Já a geada negra, mais severa que a geada branca, ocorre em situações de baixa umidade do ar e perda radiativa intensa, causando a morte do tecido vegetal das plantas, sem que haja a formação de gelo sobre sua superfície.

Como minimizar o efeito das geadas

Para evitar grandes perdas, existem algumas medidas que o produtor rural pode adotar para minimizar os efeitos da geada sobre sua plantação. Algumas delas são:

Planejamento do cultivo: Antes do plantio é importante avaliar os dados climáticos da região e verificar a sua probabilidade de ocorrência de geada. Além disso, é necessário conhecer a cultura a ser cultivada, conhecer a sua temperatura letal e ver se ela se adequa ao local escolhido.

Escola do local de plantio: Na hora do plantio deve-se evitar áreas que sejam favoráveis ao acúmulo de ar frio, como terrenos planos, côncavos (em forma de bacia) e voltados para a face sul.

Eliminar obstáculos das entrelinhas: No espaçamento da plantação deve-se manter o solo desnudo e eliminar todos os obstáculos ao escoamento do ar frio.

As entrelinhas da plantação devem estar livres de obstáculos, para que o ar frio não se deposite próximo as plantas.

Utilização de variedades resistentes: Em uma mesma cultura as variedades podem apresentar diferentes tolerâncias ao frio. Como por exemplo o abacate, a variedade chamada Geada tolera temperaturas de até -4°C, diferente da Pollock, que resiste somente até -1°C.

Nebulização artificial: Consiste na aplicação de uma neblina artificial sobre a plantação, para imitar o papel das nuvens, evitando a perda radiativa de calor pela superfície.

Arborização ou sombreamento: A utilização de coberturas artificiais ou o plantio de árvores de porte maior que a cultura cultiva também colaboram com o microclima da região, diminuindo a perda radiativa do solo.

Irrigação: Durante a noite de geada a plantação é irrigada em uma taxa de 1 a 2 mm/hora com a intenção de reduzir o resfriamento e garantir que o congelamento ocorra na superfície da planta e não de seu tecido vegetal interno, que levaria a sua morte.

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