A tecnologia que você usa todo dia também tem nome de mulher: cinco engenheiras que mudaram o mundo

Da Ponte do Brooklyn aos sistemas que tornaram possível a computação moderna, essas mulheres desafiaram as convenções de sua época, e suas invenções ainda nos cercam.

Ocasiões como o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia ajudam a destacar as contribuições de mulheres que foram fundamentais para a inovação e a ciência.
Ocasiões como o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia ajudam a destacar as contribuições de mulheres que foram fundamentais para a inovação e a ciência.

Antes de o Wi-Fi conectar residências, escritórios e cafeterias; antes de grandes pontes se tornarem ícones urbanos; antes mesmo de a engenharia ser sinônimo de inovação global, havia mulheres projetando soluções que transformariam o cotidiano — embora quase ninguém soubesse seus nomes.

Durante décadas, os nomes encontrados nos manuais de engenharia eram predominantemente masculinos. No entanto, em meio a cálculos, projetos e laboratórios, algumas mulheres avançaram discretamente, deixando um legado de soluções que sustentam grande parte do mundo moderno.

Hedy Lamarr: a atriz que ajudou a criar a base para o Wi-Fi

Pode parecer a história de dois mundos que não se misturam. Nas telas, Hedy Lamarr era uma estrela de Hollywood. Fora delas, trabalhava em uma ideia que transformaria as comunicações.

Juntamente com o compositor George Antheil, ela desenvolveu um sistema de transmissão por "salto de frequência", projetado para dificultar a interceptação de sinais durante a Segunda Guerra Mundial.

Sua invenção foi ignorada em sua época, mas, décadas mais tarde, tornou-se a base conceitual para o Wi-Fi, o Bluetooth e o GPS. Crédito da imagem: Vanity Fair.
Sua invenção foi ignorada em sua época, mas, décadas mais tarde, tornou-se a base conceitual para o Wi-Fi, o Bluetooth e o GPS. Crédito da imagem: Vanity Fair.

Sua proposta não foi implementada imediatamente. No entanto, com o tempo, aquele princípio técnico revelou-se fundamental para o desenvolvimento de tecnologias sem fio que hoje fazem parte do cotidiano.

Emily Warren Roebling: a mulher que sustentou a Ponte do Brooklyn

Quando seu marido, o engenheiro-chefe da Ponte do Brooklyn em Nova Iorque (EUA), adoeceu durante a construção, Emily Warren Roebling assumiu uma tarefa inesperada: coordenar o projeto técnico sem deter o título oficial de engenheira.

Ela estudou cálculo e resistência dos materiais, e supervisionou todas as etapas da construção por mais de uma década.

Sua capacidade de gerenciar um projeto de grande porte, resolver problemas técnicos em tempo real e comunicar-se com as diversas partes interessadas envolvidas é um exemplo de inteligência emocional e estratégica. Créditos da imagem: Medium.
Sua capacidade de gerenciar um projeto de grande porte, resolver problemas técnicos em tempo real e comunicar-se com as diversas partes interessadas envolvidas é um exemplo de inteligência emocional e estratégica. Créditos da imagem: Medium.

O resultado foi uma das pontes mais icônicas do mundo. Mas seu nome levou muito mais tempo para surgir na história da engenharia.

Ada Lovelace: a primeira programadora da história

No século XIX, Ada Lovelace fez algo incomum para a sua época: ela idealizou uma máquina capaz de realizar mais do que apenas cálculos.

Ao estudar a "Máquina Analítica" de Charles Babbage, ela escreveu uma série de instruções que hoje são consideradas o primeiro algoritmo da história.

Suas anotações sobre essa máquina são consideradas a primeira abordagem da programação moderna, antecipando a ciência da computação mais de um século antes de seu desenvolvimento. Créditos da imagem: Ecomputer Santiago.
Suas anotações sobre essa máquina são consideradas a primeira abordagem da programação moderna, antecipando a ciência da computação mais de um século antes de seu desenvolvimento. Créditos da imagem: Ecomputer Santiago.

Sua ideia mudou a forma como as máquinas eram compreendidas, deslocando a perspectiva de vê-las como meras ferramentas de cálculo para encará-las como sistemas capazes de processar informações de maneira criativa.

Lillian Gilbreth: Engenharia aplicada ao cotidiano

Engenheira industrial e psicóloga, Lillian Gilbreth revolucionou a maneira como o trabalho humano é compreendido.

Sua pesquisa influenciou a organização do trabalho moderno e o design de eletrodomésticos destinados ao cotidiano. Créditos da imagem: Britannica.
Sua pesquisa influenciou a organização do trabalho moderno e o design de eletrodomésticos destinados ao cotidiano. Créditos da imagem: Britannica.

Ela estudou movimentos, tempos e ergonomia para tornar os processos industriais mais eficientes, mas também aplicou suas ideias ao cotidiano — da cozinha ao design de eletrodomésticos modernos. Muitos dos sistemas atuais de organização do trabalho têm origem em suas pesquisas.

Katherine Johnson: Os cálculos que levaram os humanos à Lua

Na corrida espacial, as equações eram tão importantes quanto os foguetes.

Katherine Johnson foi uma das matemáticas que calcularam trajetórias cruciais para as missões da NASA, incluindo o voo da Apollo 11.

Suas fórmulas foram fundamentais para definir trajetórias seguras para missões tripuladas, incluindo o pouso de seres humanos na Lua. Crédito da imagem: NASA.
Suas fórmulas foram fundamentais para definir trajetórias seguras para missões tripuladas, incluindo o pouso de seres humanos na Lua. Crédito da imagem: NASA.

Numa altura em que o seu trabalho nem sempre era visível, os seus cálculos foram decisivos para garantir a segurança dos astronautas.

Um legado que segue em construção

Estas cinco histórias não são exceções isoladas; elas fazem parte de uma rede mais ampla de mulheres que sustentaram — e continuam a sustentar — a engenharia moderna.

Hoje, iniciativas como o Dia Internacional da Mulher na Engenharia nos lembram que a disparidade de gênero nessa área permanece significativa. Em alguns países, as mulheres representam menos de 20% dos profissionais de engenharia.

Toda vez que uma ponte é erguida, um algoritmo toma uma decisão ou um dispositivo se conecta sem fio, há uma história técnica por trás — e, muitas vezes, uma história não contada também.

Estas cinco engenheiras mudaram o mundo e ajudaram a projetar aquele em que vivemos hoje, tudo isso sem ocupar o centro das atenções.

Referência da notícia

Engineering Management. (2025). 25 of the Most Innovative Female Engineers in History.
International Women in Engineering Day. (2026). About INWED.