Colheita do café enfrenta dois dias de chuva no RJ e ES: entenda o risco para a secagem

Chuva fraca prevista para hoje e terça-feira alcança polos de café arábica no Rio de Janeiro e Espírito Santo, interrompe terreiros descobertos e exige proteção, separação e monitoramento cuidadoso da umidade dos lotes durante a colheita regional.

A colheita do café avança no RJ e no sul do ES, mas a chuva fraca pode reduzir a janela para a secagem dos grãos.
A colheita do café avança no RJ e no sul do ES, mas a chuva fraca pode reduzir a janela para a secagem dos grãos.

A chuva fraca alcança áreas cafeeiras do Rio de Janeiro e do sul do Espírito Santo entre esta segunda-feira (10) e terça-feira (11), com previsão de 0,1 a 2,9 mm em municípios produtores. Iúna, Venda Nova do Imigrante, Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana entram na faixa úmida durante a colheita do café arábica e o manejo de hortaliças. No Espírito Santo, a safra de arábica está estimada em 4,4 milhões de sacas.

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Os volumes são baixos, mas podem interromper a exposição dos grãos em terreiros descobertos, reduzir a eficiência da secagem e exigir proteção dos lotes. O impacto dependerá do horário da precipitação, da cobertura e do estágio de cada lote. Café próximo da umidade final requer cuidado diferente daquele recém-colhido.

Chuva fraca aparece hoje e persiste na terça-feira

Em Iúna, a previsão indica 2,1 mm nesta segunda-feira e 2,9 mm na terça, ambos com 90% de probabilidade. Venda Nova do Imigrante pode receber 1,2 mm hoje e 1,7 mm amanhã, com 80%. No lado fluminense, Varre-Sai tem projeção de apenas 0,1 mm nesta segunda e 1,2 mm na terça, enquanto Bom Jesus do Itabapoana pode acumular 1,4 e 1,2 mm, respectivamente.

A chuva fraca avança pelo RJ e sul do ES na terça-feira, reduzindo a janela para secagem do café em terreiros descobertos.
A chuva fraca avança pelo RJ e sul do ES na terça-feira, reduzindo a janela para secagem do café em terreiros descobertos.

A distribuição confirma um episódio fraco, porém persistente entre o Caparaó capixaba, o noroeste do Rio de Janeiro e as montanhas do Espírito Santo. Em Iúna, a máxima cai de 27°C hoje para 20°C amanhã; em Venda Nova, de 25°C para 19°C. Menos calor, nebulosidade e molhamento ocasional alongam a retirada de água dos frutos.

Poucos milímetros já alteram a rotina dos terreiros

O café arábica é colhido com umidade elevada, e a secagem deve conduzir o lote até 11% a 11,5% antes do armazenamento. A recomendação do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) começa com 7 litros por metro quadrado no primeiro dia e 14 no segundo, além de 12 revolvimentos diários. Chuva sobre o lote quebra essa sequência.

A chuva acumulada permanece baixa no RJ e no sul do ES, mas pode interromper temporariamente a secagem do café em terreiros descobertos.
A chuva acumulada permanece baixa no RJ e no sul do ES, mas pode interromper temporariamente a secagem do café em terreiros descobertos.

Em Iúna, Brejetuba e Venda Nova do Imigrante, terreiros com cobertura móvel ou estrutura protegida oferecem maior flexibilidade. Em Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana, lotes expostos devem ser manejados conforme a chuva observada na propriedade.

Reumedecimento não significa perda automática de qualidade, mas secagem irregular e demora excessiva aumentam a necessidade de separar lotes, medir a umidade e evitar armazenamento prematuro.

  • Iúna: 2,9 mm na terça podem manter lotes novos fora do terreiro descoberto.
  • Venda Nova do Imigrante: máxima de 19°C reduz a eficiência da secagem ao ar livre.
  • Varre-Sai: 1,2 mm exige proteção localizada, sem justificar paralisação generalizada da colheita.
  • Bom Jesus do Itabapoana: 80% de probabilidade pede acompanhamento por talhão e por terreiro.

Tempo melhora na quarta e permite reorganizar a secagem

A tendência muda na quarta-feira (12), quando a chuva deixa de aparecer na previsão diária desses quatro polos. Iúna e Venda Nova do Imigrante devem variar entre 14°C e 22°C; Varre-Sai, entre 13°C e 20°C; e Bom Jesus do Itabapoana, entre 16°C e 25°C.

A abertura não garante terreiro imediatamente seco, mas cria uma janela para inspecionar o piso, redistribuir os lotes e retomar o revolvimento.

Até essa melhora, produtores do Caparaó, do sul capixaba e do noroeste fluminense podem priorizar cobertura, ventilação e separação por estágio de secagem.

Antes de armazenar, a umidade deve ser medida; lotes próximos de 11% a 11,5% não devem ser misturados aos mais úmidos. A decisão de voltar ao terreiro descoberto precisa considerar chuva realmente observada, insolação e condição do lote em cada propriedade.