Roberta Duarte traz o guia completo dos eventos astronômicos para este mês de março
Março começou com alinhamento planetário, terá eclipse lunar total, conjunções entre planetas e ainda traz atualizações sobre a missão Artemis II.

Esse mês de março já começou com um alinhamento planetário logo no 1º dia que envolverá vários planetas visíveis ao amanhecer e ao entardecer. Embora não seja considerado um alinhamento perfeito, a aproximação angular entre os corpos fará um arranjo observacional no céu. Os alinhamentos acontecem por causa das posições relativas dos planetas em suas órbitas e pela perspectiva do observador na Terra.
No entanto, acontecerá outros fenômenos interessantes ao londo do mês de março sendo o maior deles um eclipse lunar total. Durante a totalidade, a Lua adquire coloração avermelhada devido à dispersão da luz solar pela atmosfera terrestre. Eclipses lunares totais permitem que pessoas das regiões que serão afetadas acompanhem o evento até mesmo a olho nu, visto que a luz do Sol não será direta. Esse mês contará com conjunções planetárias que são aproximações entre planetas ou entre planetas e a Lua.
Um evento que chama atenção durante o mês é por ser o período com melhores condições de visibilidade do centro da Via Láctea no Hemisfério Sul. A região central da galáxia, localizada na direção da constelação de Sagitário, concentra mutias estrelas e o buraco negro supermassivo Sagittarius A*. Paralelamente aos eventos observacionais, há atualizações sobre a missão Artemis II que foi adiada mais uma vez segundo um anúncio da NASA essa semana.
Alinhamento planetário
O alinhamento planetário que será observado no início do mês acontecerá logo após o pôr do sol, quando Mercúrio, Vênus e Saturno puderam ser vistos simultaneamente no horizonte oeste. Esses planetas apresentarão uma pequena separação angular devido à geometria orbital e à posição da Terra em relação ao plano da eclíptica. Júpiter também se encontrará alto no céu e permitirá observação prolongada acima do horizonte.
Netuno será ainda mais difícil de observar do que Urano isso porque ele estará próximo ao Sol no céu visto em perspectiva aqui da Terra. A baixa altitude e o brilho reduzido aumentam a interferência da luz do Sol impedindo uma observação mais detalhada do último planeta. Observações próximas ao horizonte também estão sujeitas a maior absorção e turbulência atmosférica, reduzindo contraste e nitidez. Jamais olhe na direção do Sol sem proteção devida.
Outono chegando
Março é um mês esperado porque acontece o equinócio que dá início ao outono no Hemisfério Sul. O equinócio ocorre quando o Sol cruza o equador celeste, resultando em aproximadamente a mesma duração de dia e noite nos dois hemisférios. Esse fenômeno acontece duas vezes ao ano, em março e setembro, devido à inclinação do eixo terrestre. No equinócio de março, o ponto desloca-se do hemisfério sul para o hemisfério norte, marcando uma mudança sazonal no planeta Terra inteiro.
No hemisfério Sul, o início do outono caracteriza-se pela redução progressiva da duração do dia e pela diminuição da altura máxima do Sol ao meio-dia local. A menor incidência de radiação solar resulta em uma tendência de queda gradual das temperaturas médias nas semanas seguintes. Esse período também marca alterações nos padrões atmosféricos e na circulação de massas de ar.
Eclipse lunar
Um eclipse lunar total ocorre quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, projetando sua sombra sobre o satélite natural. Durante o evento, a Lua atravessa a umbra terrestre, região onde a luz solar direta é completamente bloqueada. A coloração avermelhada observada resulta da dispersão atmosférica da luz solar, que filtra comprimentos de onda mais curtos e acaba predominando tons vermelhos. O evento acontecerá no dia 3 de março, nas primeiras horas da manhã.

No Brasil, entretanto, a totalidade não será completamente observável, pois a Lua estará abaixo do horizonte no momento de máximo eclipse. Ainda assim, no extremo oeste do país, o obscurecimento poderá atingir cerca de 96%. Estados como Acre, Amazonas e Roraima terão as melhores condições de observação no Brasil. Em regiões mais a oeste do continente americano, a totalidade será visível por período mais prolongado, permitindo acompanhamento completo das fases do eclipse.
Novidades da Artemis II
Essa semana, a NASA anunciou mais um adiamento da missão Artemis II junto com um cronograma novo que irá mudar completamente todo o projeto. Na missão mais próxima, a Artemis II, o adiamento foi colocado para abril após a detecção de um problema no fluxo de hélio no estágio superior do foguete Space Launch System (SLS). O hélio é utilizado para pressurizar tanques de combustível sendo importante no sistema de propulsão. Como medida corretiva, a NASA decidiu remover o foguete da plataforma de lançamento para inspeção e manutenção.
Esse é o segundo adiamento que a missão sofre sendo a primeira que aconteceu em fevereiro. A decisão eliminou a possibilidade de lançamento em março, apesar da confiança expressa dias antes em uma decolagem no início do mês. Técnicos ainda investigam a causa específica da falha no sistema de hélio, e a resolução depende da análise detalhada de dados. A agência agora trabalha com uma janela de lançamento entre abril, maio ou junho. O cronograma final dependerá do sucesso das investigação e da validação completa dos sistemas antes do retorno à plataforma.