Cabo Frio, RJ: parece neve, mas é espuma do mar!

Desde as espuminhas que embelezam as cristas das ondas do mar, até as espessas camadas que invadem a paisagem, a formação de espuma na água do mar é um processo natural e não está diretamente associado com poluição ou sujeira.

Carolina Barnez Carolina Barnez 10 Out. 2019 - 12:32 UTC
Espuma em praia de Cabo Frio, RJ, parece com neve e não está associada à poluição. Fonte: Divulgação.

As imagens da orla de Cabo Frio (RJ) coberta de branco na última Terça-feira (8) pode assustar os mais desavisados. Um grande volume de espuma invadiu a paisagem da lagoa de Araruama, fazendo parecer que os entornos da lagoa estivessem cobertos de neve. Apesar do vídeo chamar a atenção, quem passa frequentemente pela região sabe que não se trata de nenhum fenômeno raro. A formação de espuma no mar é natural, e pode ser mais ou menos frequente e volumosa dependendo das substâncias presentes na água de cada região.

A formação de espuma é resultado da interação de água, ar e moléculas surfactantes. Estas moléculas possuem uma extremidade hidrofílica (atrai a água) e outra hidrofóbica (é repelida pela água). Isso faz com que elas, quando em contato com água e ar, se alinhem e formem bolhas: as extremidades hidrófilas ficam para fora enquanto as hidrofóbicas ficam para dentro. A fina camada de água na superfície da bolha tem a forma de uma esfera, porque essa forma requer menos energia do que qualquer outra.

As moléculas surfactantes podem ter diversas origens, tanto antropogênicas quanto naturais. As fontes humanas são fertilizantes, detergentes, fábricas de papel e esgoto. As fontes naturais, e abundantes nos oceanos, são alguns sais, proteínas e gorduras provenientes de animais, fitoplânctons e algas marinhas. Dessa forma, é importante perceber que a presença de espuma na água do mar não pode, por si só, ser considerada um indicativo de poluição e sujeira.

Na água do mar, as algas são as principais fontes de matéria orgânica para formação das bolhas que formam as espumas espessas. Regiões mais produtivas tendem a formar mais espuma. Eventos de grandes florações de algas estão associados a formação de um volume anomal de espuma, pois resultam na liberação de grandes quantidades de matéria em decomposição.

A agitação marítima garante a mistura entre estes três elementos essenciais para a formação das bolhas: água, ar e surfactantes. Por essa razão, as espumas tendem a se formar em maior volume em regiões costeiras, pois é onde, normalmente, há maior interação entre ondas, vento e correntes marinhas.

Um evento muito famoso de espuma marinha foi registrado em 2007 em Yamba, na Austrália, conhecido como “Oceano de Cappuccino”, e foi gerado pelas fortes correntes marinhas que atuaram na região. O nome foi dado porque a mistura espumosa do oceano lembrava a espuma no topo da bebida com este nome. Também em Aberdeen, na Escócia, em 2012, uma parte da cidade ficou coberta por espuma após uma severa tempestade que promoveu ventos intensos.

O caso da lagoa de Araruama, registrado nesta semana não é diferente. Ainda em Julho deste ano, amostras de espuma na orla da lagoa foram analisada a pedido da Prefeitura de Cabo Frio e o laudo mostrou não haver poluição e agentes nocivos na espuma. A combinação de ventos fortes e maior produção de matéria orgânica na região são os principais causadores da espuma.

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